BENEFÍCIO INESPERADO

Economia brasileira menos ligada aos EUA protegeu o país de choques globais, afirma Galípolo

Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, falando em uma conferência online.
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, em participação remota no 14º Fórum de Lisboa.

Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, explicou em Lisboa como a diversificação de parceiros comerciais e o foco no consumo doméstico blindaram o Brasil diante de tarifas americanas e conflitos internacionais. Ele destacou que o cenário fortalece a moeda nacional.

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A economia brasileira demonstrou resiliência diante de choques globais recentes, como o tarifaço imposto pelos Estados Unidos e conflitos internacionais, graças a características intrínsecas que o Presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, classificou como “idiossincrasias benéficas”. Em sua participação no 14º Fórum de Lisboa, nesta quarta-feira, 03/06/2026, Galípolo detalhou como a menor dependência da economia norte-americana e o impulso do consumo doméstico se transformaram em vantagens competitivas, protegendo o Brasil dos efeitos mais severos.

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Galípolo iniciou sua explanação com uma referência bem-humorada à fadiga global com eventos históricos, destacando os quatro grandes choques que moldaram a economia mundial nos últimos seis anos: a pandemia de Covid-19, a guerra na Ucrânia, as tarifas impostas pelos Estados Unidos e o conflito com o Irã. Segundo ele, cada um desses eventos provocou um aumento significativo nos níveis de preço e, consequentemente, no custo de vida.

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Ao analisar os dois últimos choques — o tarifaço americano e o conflito com o Irã —, o presidente do BC observou que o Brasil se encontrou em uma posição relativamente mais vantajosa. A percepção inicial, após a eleição de Donald Trump em 2024, era de que sua política pró-mercado reduziria tarifas, favorecendo países e empresas mais vinculados aos EUA. No entanto, a imposição de tarifas reverteu essa expectativa, transformando a menor ligação do Brasil com a economia norte-americana em um fator de proteção.

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“Aquilo que era uma desvantagem para o Brasil se transformou em uma vantagem”, declarou Galípolo. “O fato de estar menos ligada à economia norte-americana, ter parceiros comerciais mais diversificados e ter uma economia em que o crescimento é mais impulsionado pelo consumo doméstico (…), fez com que a economia brasileira fosse vista como uma economia mais protegida daquele choque tarifário.”

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No contexto do conflito no Oriente Médio, Galípolo ressaltou que o Brasil se encontra em uma posição privilegiada, especialmente por ser exportador de petróleo. Ele fez questão de esclarecer que não se trata de afirmar que a economia brasileira esteja melhor com os choques, mas sim que, em comparação relativa com outros países, o Brasil se mostra mais isolado e protegido diante dessas turbulências.

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O cenário atual é ainda complementado por um movimento global de aversão ao risco, que, paradoxalmente, tem acompanhado a valorização de moedas de diversos países emergentes, incluindo o real. Historicamente, o aumento da aversão ao risco leva à procura por ativos mais seguros, como o dólar. Contudo, a desvalorização da moeda norte-americana tem beneficiado o Brasil, somando-se às “idiossincrasias benéficas” da economia nacional e a fatores de ordem mais geral.

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Galípolo também atribuiu parte desse desempenho favorável ao arcabouço fiscal brasileiro e ao aprimoramento da coordenação entre as políticas monetária e fiscal, elementos que fortalecem a confiança na gestão econômica do país.

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