IMPACTO NA EDUCAÇÃO

Dor menstrual leva quase 40% das estudantes a faltarem às aulas no Brasil

Estudantes em sala de aula
Estudantes em sala de aula

Pesquisa do Instituto Alana aponta que cólicas moderadas a fortes levam a ausências mensais e impactam aprendizado e igualdade racial.

Quase 40% das estudantes brasileiras, do ensino fundamental e médio, faltam às aulas todos os meses devido a cólicas menstruais moderadas a fortes. A informação, divulgada nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, véspera do Dia Internacional da Dignidade Menstrual, é um dos principais achados de uma pesquisa realizada pelo Instituto Alana em parceria com o Instituto Equidade.info. A decisão de criar políticas de saúde menstrual nas escolas se torna urgente diante do impacto direto na aprendizagem e na promoção da igualdade educacional.

O levantamento, que ouviu 2.551 estudantes (sendo 770 que menstruam), 303 professores e 181 gestores de escolas públicas e privadas de todas as regiões do Brasil em fevereiro deste ano, revela que 57,7% das alunas apontam a cólica como o principal sintoma que as impede de ir à escola. Outros fatores citados incluem cansaço e dores no corpo (30,1%), dores de cabeça (28%), dor de barriga (20,1%), vergonha e medo de vazamentos (19,3%) e a falta de banheiros adequados ou de produtos de higiene menstrual (8,2%).

Estudantes em sala de aula
Cólicas menstruais representam um obstáculo significativo para a frequência escolar de muitas jovens.

Esses sintomas menstruais podem resultar em cerca de dois dias de falta por mês. Sofia Reinach, líder da iniciativa Endometriose, Dor Pélvica e Saúde Menstrual do Instituto Alana, ressalta que o absenteísmo gerado pelas dores menstruais compromete o desenvolvimento educacional das alunas e aprofunda as desigualdades de aprendizado. A pesquisa também evidencia uma disparidade racial: alunas negras faltam até 1,5 vez mais às aulas por motivos menstruais do que estudantes brancas. Entre as estudantes negras, 14,5% relatam faltar de dois a cinco dias por mês, em comparação com 9,6% das brancas.

As diferenças regionais também são notáveis. Nas regiões Norte e Centro-Oeste, a ausência de banheiros apropriados e de produtos de higiene menstrual figuram entre as principais causas de falta. O estudo também aponta que a menarca, a primeira menstruação, ocorre cada vez mais cedo no país, com 36,5% das meninas menstruando pela primeira vez até os 10 anos. Entre essas alunas, a incidência de cólicas fortes é maior.

O impacto da questão menstrual não se restringe às estudantes. A pesquisa revelou que 16,9% das gestoras escolares entrevistadas já faltaram ao trabalho devido a questões menstruais, assim como 12,1% das professoras. O Instituto Alana defende a implementação de políticas públicas de saúde menstrual nas escolas, que incluam protocolos para faltas justificadas, a promoção de um debate aberto sobre o tema e a melhoria da infraestrutura escolar, garantindo acesso a produtos de higiene.

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