IMPACTO DA DOR MENSTRUAL

Dor menstrual afasta 40% das alunas das salas de aula no Brasil, revela pesquisa

Duas alunas em sala de aula, uma escrevendo em um caderno.
Alunas em sala de aula no Brasil.

Pesquisa do Instituto Alana e Equidade.Info mostra que cólicas, cansaço e vergonha levam estudantes a faltar às aulas. Professores também são afetados.

A dor menstrual é um obstáculo significativo à educação de meninas no Brasil. Uma pesquisa inédita do Instituto Alana com o Instituto Equidade.Info revelou que quatro em cada dez alunas do Ensino Médio e Fundamental faltam às aulas pelo menos uma vez por mês em decorrência de sintomas como cólicas intensas, cansaço, dor no corpo e dor de cabeça. A pesquisa, divulgada em 28 de maio de 2026, também apontou que 12% das professoras faltam mensalmente pelas mesmas razões, impactando a dinâmica escolar e a aprendizagem.

Realizada com 2,5 mil estudantes e 303 docentes de escolas públicas e privadas em todas as regiões do país, o estudo destaca a cólica menstrual como o principal sintoma, afetando 57,7% das alunas. Outros sintomas relatados incluem cansaço e dor no corpo (30%), dor de cabeça (28%) e vergonha ou medo de vazamento (19%). Um percentual de 8% das alunas ainda enfrenta a falta de banheiros adequados ou de produtos de higiene menstrual, agravando a situação.

Estudantes em sala de aula
A falta de acesso a produtos de higiene e a dor podem levar a riscos à saúde e impactar a rotina escolar das alunas.

Guilherme Lichand, professor na Universidade de Stanford e supervisor técnico da pesquisa, ressalta a conexão direta entre a dor e o absenteísmo escolar. "As meninas tendem a faltar mais na escola do que os meninos e há uma relação entre a intensidade da dor e o absenteísmo. Se essas questões não estão endereçadas, o direito universal da educação não está sendo atendido para essas meninas", alerta Lichand. A ausência frequente nas salas de aula compromete o direito à educação e pode levar a punições pelos dias perdidos, prejudicando o desenvolvimento acadêmico das estudantes.

Especialistas apontam a necessidade de políticas públicas integradas entre saúde e educação para lidar com essa questão de saúde pública sistêmica. A proposta é focar na justificativa das faltas, no reforço escolar para compensar o conteúdo perdido e no cuidado integral das estudantes. "A política escolar precisa dar conta desses dois problemas: compensar o conteúdo e ter políticas que não deixem que meninas sejam punidas pela dor que elas sofrem", defende Sofia Reinach, líder da iniciativa de endometriose, dor pélvica e saúde menstrual do Instituto Alana.

A pesquisa também evidenciou a pouca compreensão sobre a menstruação como uma questão coletiva no ambiente escolar. Entre os meninos, 36,8% afirmam não pensar muito sobre o tema, índice superior ao registrado entre as meninas (19,7%). A necessidade de abordar o assunto desde cedo é reforçada, visto que 36,5% das alunas começam a menstruar até os 10 anos e 65,2% até os 11. Sofia Reinach enfatiza que a dor menstrual deve ser tratada como um fator recorrente de impacto funcional, e não apenas como desconforto individual, com a inclusão de meninos e meninas nas discussões desde o Ensino Fundamental.

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