SOBRETAXAS DOS EUA

Dólar sobe e Ibovespa cai após EUA anunciarem sobretaxas em produtos brasileiros, aponta especialista

Gráfico de queda do Ibovespa e alta do dólar em contraste.
A volatilidade do mercado financeiro é influenciada por decisões de política econômica internacional e nacional.

Gilvan Bueno explica como a incerteza gerada por novas tarifas americanas afeta o mercado financeiro brasileiro e a decisão de investidores.

Na quinta-feira, 04/06/2026, o dólar encerrou o pregão com alta superior a 1%, atingindo R$ 5,06. Paralelamente, o Ibovespa registrou uma queda de 2,22%, finalizando o dia aos 170.331 pontos. Essa movimentação no mercado financeiro é uma resposta direta à proposta de novas sobretaxas sobre produtos brasileiros por parte dos Estados Unidos, gerando preocupação entre investidores.

Em análise no programa CNN Novo Dia, o colunista de Economia Gilvan Bueno detalhou, nesta quinta-feira (4), como o mercado reage a esses anúncios e os fatores que influenciam seu comportamento. Ele ressaltou que o mercado de ações funciona como um termômetro das expectativas futuras, refletindo a confiança dos investidores nas empresas e na economia.

Bueno apontou que a estrutura da bolsa brasileira, com forte dependência de empresas produtoras de commodities como minério, petróleo, siderurgia e celulose, a torna particularmente suscetível a pressões externas. Esses setores já enfrentavam desafios devido à taxa de juros elevada, que impactava diretamente a lucratividade das companhias.

O especialista lembrou que, até abril deste ano, o Ibovespa acumulava uma alta superior a 23%. Contudo, após os recentes desdobramentos sobre as tarifas americanas, esse índice de crescimento foi reduzido para cerca de 5% no acumulado do ano. "Quando mecanismos que se mostram muito desconstrutivos na construção de valor das companhias surgem, aumentando seus custos e impactando sua lucratividade, os investidores começam a se antecipar e buscar novos ativos", explicou Bueno.

A falta de clareza nas negociações comerciais foi destacada por Bueno como um dos principais vetores de instabilidade. Ele mencionou uma conversa com Roberto Azevedo durante a Brazil Week, em Nova York, um evento que reuniu um público expressivo de investidores, empresários e consultores. Segundo Bueno, Azevedo teria pontuado que o governo Trump tende a negociar intensamente, mas sem assertividade na comunicação, o que dificulta a compreensão das partes envolvidas.

Essa incerteza, na visão do colunista, reverbera diretamente no câmbio, na bolsa de valores e nos juros futuros, influenciando as decisões estratégicas de empresários. "As negociações não estão claras. O que se deve fazer é continuar visitando os dois países, conversar e tentar reduzir os impactos, usando menos os meios de comunicação abertos e fazendo as famosas conversas ao pé do ouvido", concluiu.

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