PATRIMÔNIO CULTURAL RESGATADO
Documentos históricos com registros de escravizados são resgatados no PI
Acervo encontrado em condições precárias em Campo Maior inclui escrituras do Brasil Império e passará por restauração pela UFPI.
Documentos de valor inestimável para a memória nacional foram localizados em estado crítico de conservação durante uma ação de fiscalização. A descoberta ocorreu na quinta-feira (13), em Campo Maior, no Piauí, quando autoridades encontraram itens históricos cobertos por fezes de pombos no prédio que abrigou a Fundação Cardoso Neto e o Museu do Zé Didor.
A operação, detalhada pelo Ministério Público do Piauí (MPPI) na sexta-feira (14), foi motivada pela deterioração do acervo após o falecimento do fundador, José Cardoso da Silva Neto, conhecido como Zé Didor, ocorrido em 2022. O promotor de justiça Maurício Gomes ressaltou a importância de preservar o legado reunido pelo colecionador, que guardava registros cruciais da história local e nacional.
Entre os itens resgatados, destacam-se registros da Batalha do Jenipapo, documentos da época da ditadura militar e escrituras do Brasil Império. O material será encaminhado para limpeza, catalogação e digitalização por especialistas da Universidade Federal do Piauí (UFPI), visando sua futura incorporação ao patrimônio público.
Registros de escravidão revelam cicatrizes do passado
O acervo trouxe à tona documentos de compra e venda de pessoas escravizadas, datados do século XIX. Uma escritura de 1866 detalha a comercialização de um homem chamado Ísaias, vendido a um tenente-coronel por 700 mil réis. Segundo o promotor Maurício Gomes, cálculos atualizados indicam que o montante equivale a aproximadamente R$ 70 mil, valor que torna tangível a objetificação de vidas humanas ocorrida no Brasil Império.
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