OBRA DE ENGENHARIA
Documentário “Maré Cheia” aborda transformações recentes de Ponta Negra
Produção da UFRN estreia nesta quarta-feira, 10, na Biblioteca Central, e foca no impacto social e ambiental da engorda da praia de Ponta Negra, em Natal. Debates sobre o futuro da orla marcam a exibição.
O documentário “Maré Cheia: entre rendas, redes e resistência” lança luz sobre as transformações sociais, ambientais e urbanas decorrentes das recentes intervenções na orla de Ponta Negra, em Natal. A obra, que estreia nesta quarta-feira, 10 de junho de 2026, às 9h, no auditório da Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), foi concebida para dar visibilidade às comunidades tradicionais e aos modos de vida historicamente ligados à praia, como a pesca artesanal e a renda de bilro. A produção reúne relatos de moradores da Vila de Ponta Negra, pesquisadores, representantes do poder público e órgãos de fiscalização, promovendo um debate plural sobre a dinâmica costeira e o cotidiano da comunidade.
O filme aborda as mudanças no território após a obra de engorda da Praia de Ponta Negra, iniciativa concluída no início de 2025 com o objetivo de recuperar e ampliar a faixa de areia, conter o avanço do mar e reduzir a erosão costeira, especialmente na região do Morro do Careca. A produção questiona os efeitos dessa intervenção na dignidade das pessoas e na preservação do ambiente, apresentando diferentes perspectivas sobre a alteração urbana e seus impactos reais.

Entre os entrevistados estão figuras emblemáticas da comunidade, como a rendeira e mestra do pastoril Maria Helena, e a pescadora artesanal Núbia Peixoto, além do geólogo Venerando Amaro e do procurador da República Camões Boaventura. Suas falas enriquecem a reflexão sobre cidade, território e meio ambiente, a partir da vivência direta das transformações na principal praia urbana de Natal.

A produção é fruto do projeto de extensão “Esta cidade é minha: a comunicação como estratégia de visibilidade e fortalecimento na construção de territórios sustentáveis”, desenvolvido pela UFRN. Assinado por Tatiana Castro, Sandra Mara, Yann Henrique, Beatrice Ramos, Rierson Marcos e Gabriel Dias, o projeto busca fortalecer o diálogo entre universidade e sociedade por meio da comunicação pública e da valorização de territórios tradicionais. A iniciativa é um marco na atuação da universidade em prol da sustentabilidade e do reconhecimento das comunidades locais.
Após a exibição, o público poderá participar de uma roda de conversa mediada com os convidados, promovendo um espaço aberto de diálogo e aprofundamento sobre os temas abordados no filme. Esta interação é crucial para a compreensão das complexas questões ambientais e sociais envolvidas na gestão costeira.
Sobre a engorda, a secretária municipal de Infraestrutura, Shirley Cavalcanti, informou que 94% da areia depositada ao longo dos 4,6 quilômetros da orla permanece. Estudos batimétricos da Funpec indicam que parte da areia foi redistribuída para a área central e a faixa submersa, explicando o mar mais raso em alguns trechos. A Prefeitura considera a movimentação dos sedimentos um processo natural e, por ora, não vê necessidade de reposição emergencial. No entanto, a administração municipal prepara obras de drenagem avaliadas em R$ 21,6 milhões, com a construção de três reservatórios subterrâneos para mitigar alagamentos e a formação de espelhos d’água após chuvas intensas, demonstrando atenção contínua aos desafios hídricos da região.
Um relatório da Funpec apontou redução de 39,27% no volume de areia emersa entre fevereiro de 2025 e fevereiro de 2026, especialmente próximo ao Morro do Careca. Os pesquisadores, contudo, ressaltam que o estudo focou apenas na faixa acima da linha d’água e que o material pode ter se deslocado para áreas submersas. A obra de engorda, concluída no início de 2025, visava conter o avanço do mar e reduzir a erosão costeira. A decisão sobre futuras intervenções dependerá da evolução natural e monitoramento constante.
Serviço: Documentário: “Maré Cheia: entre rendas, redes e resistência” Data: Quarta-feira, 10 de junho de 2026 Horário: 9h Local: Auditório da Biblioteca Central Zila Mamede (BCZM/UFRN) Endereço: Campus Central da UFRN, BR-101, s/n, Lagoa Nova, Natal Programação: Exibição seguida de debate com convidados Instagram: @marecheia.doc
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