INVESTIGAÇÃO COMPROMETIDA
Diretor da PF afirma que sanção dos EUA prejudicou investigação e dificultou captura de alvo
Decisão americana antecipou Operação Exchange. PF não localizou principal investigado, que está foragido.
A divulgação de uma sanção imposta pelos Estados Unidos ao empresário Victor Henrique de Oliveira Shimada, na quarta-feira (2/7), obrigou a Polícia Federal (PF) a antecipar a deflagração da Operação Exchange. A ação, realizada nesta sexta-feira (03/07/2026), teve seu planejamento alterado, o que, segundo o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, prejudicou a investigação e comprometeu a tentativa de localizar o principal alvo da operação.
Em entrevista coletiva em Brasília (DF), Andrei Rodrigues explicou que a antecipação forçada pela notícia da sanção americana impediu que a PF localizasse Shimada, que agora é considerado foragido da Justiça. "Alterou a nossa ação. Houve uma antecipação. Mas, de fato, se não houvesse essa designação, talvez o desfecho fosse outro e nós teríamos localizado essa pessoa, mas infelizmente não localizamos. Então, houve prejuízo à investigação", declarou o diretor-geral.
Ele ressaltou que tanto a representação policial quanto a decisão judicial que fundamentaram a Operação Exchange são anteriores ao decreto do governo dos EUA que classificou duas facções criminosas brasileiras como organizações terroristas. "Já estavam em curso. Tem uma investigação nos Estados Unidos que também já estava em andamento, assim como essa nossa da PF. Em razão da publicação, tivemos que adiantar e deflagrar a operação hoje", afirmou.
A sanção americana não tem relação direta com a classificação posterior de facções, conforme explicou o diretor de investigação e combate ao crime organizado, Dennis Cali. Shimada já havia sido preso preventivamente pela PF em 2024 e condenado em 2025, em decorrência de outra investigação. Na Operação Exchange, outras seis pessoas foram presas, incluindo Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira, também sancionada pelos EUA.
Segundo a PF, Shimada atuava como operador financeiro e movimentava recursos nos Estados Unidos. A divulgação da sanção pelos EUA, antes da conclusão da operação planejada, impediu que a polícia efetuasse sua prisão e desarticulasse completamente a atuação do grupo investigado. A falta de localização do principal investigado impacta diretamente a capacidade de responsabilização e a continuidade das apurações sobre a movimentação financeira ilícita.
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