DEFESA DIPLOMÁTICA

Diplomatas defendem decisão da Embaixada nos EUA sobre coletiva de Flávio Bolsonaro e citam "defeso eleitoral"

Foto de Flávio Bolsonaro reunido com Donald Trump na Casa Branca.
Flávio Bolsonaro na Casa Branca durante reunião com Donald Trump.

A Embaixada do Brasil nos Estados Unidos não cedeu espaço para coletiva de imprensa do senador Flávio Bolsonaro, citando regras de defeso eleitoral e a natureza pré-eleitoral da viagem. A decisão gerou críticas da equipe do parlamentar.

Em resposta a críticas, diplomatas defenderam a atuação da Embaixada do Brasil nos Estados Unidos, que não disponibilizou espaço para uma coletiva de imprensa solicitada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar, pré-candidato ao Palácio do Planalto, reuniu-se com o presidente dos EUA, Donald Trump, nesta terça-feira, 26 de maio de 2026, e pretendia conceder a entrevista no local.

Integrantes do corpo diplomático em Washington informaram que o pedido da equipe do senador foi encaminhado apenas na noite de segunda-feira, 25 de maio, feriado do Memorial Day nos EUA. Além disso, a assessoria parlamentar do Itamaraty não teria sido informada previamente pelo gabinete do parlamentar, nem a Embaixada teria recebido solicitação formal do Congresso Nacional. Tal procedimento é considerado necessário para caracterizar uma missão oficial e justificar o apoio da representação diplomática.

Por esses motivos, membros do Itamaraty avaliam que não havia obrigação de atender ao pedido, especialmente diante do caráter eleitoral da viagem. Segundo diplomatas, o Ministério das Relações Exteriores segue as regras de defeso eleitoral, cujo período técnico inicia em 4 de julho, três meses antes das eleições, mas que já orientam a conduta dos diplomatas no cenário pré-eleitoral.

O Itamaraty recebeu nesta terça-feira, 26 de maio, as orientações destinadas aos postos diplomáticos para o período eleitoral. As normas estabelecem, por exemplo, que “a partir do princípio da igualdade de oportunidades entre candidatos, o período requer especial atenção à aplicação de regras que passam a regular a comunicação institucional de todos os órgãos da administração pública federal”.

Diplomatas também ressaltam que transformar embaixadas em palco para atuação político-partidária de deputados e senadores comprometeria o funcionamento da política externa brasileira, afetando a imagem e a neutralidade do Estado em suas representações internacionais.

A equipe do Senador Flávio Bolsonaro emitiu uma nota nesta terça-feira, 26 de maio, criticando a posição da Embaixada do Brasil nos EUA. "A embaixada brasileira representa o Estado brasileiro e não interesses partidários do PT ou do governo Lula. É inadmissível que um espaço público, que pertence ao povo brasileiro, seja utilizado de forma seletiva para atender conveniências ideológicas. Na medida em que o senador Flávio Bolsonaro, um parlamentar eleito e uma das principais lideranças políticas do País, se reune com o homem mais poderoso do mundo, causa estranheza que a embaixada não aceite um pedido simples para ceder espaço para atendimento à imprensa", afirma a nota.

Gostou desta notícia?

Entre no nosso grupo do WhatsApp!

Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!

📲 Quero entrar no grupo

Compartilhe esta matéria

Comentários (0)

Seja o primeiro a comentar!

Deixe seu comentário