RISCOS CORPORATIVOS BRASIL

Dilemas éticos superam corrupção como maior risco corporativo no Brasil, aponta pesquisa Atlas PIR

Gráfico ou imagem representativa de pesquisa de integridade corporativa no Brasil.
Pesquisa Atlas PIR foi divulgada no congresso Behavioral Science Lab, da FEA/USP.

Estudo da S2 Consultoria revela que conflitos de interesse e assédio moral são mais comuns e perigosos que fraudes explícitas. Empresas precisam atuar nas "zonas cinzentas da integridade".

Dilemas éticos, como conflitos de interesse e assédio moral, representam os maiores riscos para as corporações no Brasil, superando práticas de corrupção explícita. Essa conclusão emerge da pesquisa Atlas PIR, realizada pela S2 Consultoria e obtida com exclusividade pelo CNN Money. O levantamento analisou mais de 48 mil profissionais em 449 organizações, abrangendo 13 setores econômicos, e revelou que as chamadas 'zonas cinzentas da integridade' são mais perigosas do que fraudes tradicionalmente associadas a crimes corporativos.

Os dados, que serão compartilhados oficialmente nesta quarta-feira, 27 de maio de 2026, no congresso Behavioral Science Lab, da FEA/USP, indicam que nos últimos cinco anos, os dilemas mais frequentes foram conflitos de interesse (18,2%), assédio moral (16,9%) e recebimento de presentes (15,1%). Em contraste, o desvio de recursos teve apenas 1% de aceitação, e a sonegação de impostos, 0,4%.

A pesquisa não mede o caráter ou a moralidade individual, mas sim o 'Potencial de Integridade Resiliente' (PIR), ou seja, o quão resistentes os profissionais são diante de dilemas éticos. Baixa resiliência indica maior propensão a ceder a situações de pressão ou ambiguidade.

Renato Santos, sócio-diretor da S2, explica que o perigo reside na normalização de pequenas transgressões. 'As pessoas geralmente não cometem grandes fraudes. O que acontece é que determinadas ações vão sendo relevadas, até o dia em que se tornam efetivamente crimes maiores. As empresas precisam tratar dos pequenos dilemas éticos para evitar grandes paradoxos', alerta.

Conflitos de interesse, disfarçados de amizade ou lealdade, são particularmente insidiosos. Santos cita a escolha de fornecedores baseada em relações pessoais como um exemplo comum, muitas vezes não identificado como risco corporativo.

O assédio moral, por sua vez, mostrou-se mais prevalente em setores como comércio e varejo (29,9%), impulsionado por pressões de metas, alta rotatividade e hierarquias rígidas. Na área da saúde, o conflito de interesse atinge 23,9%, enquanto na indústria, o vazamento de informações é o principal dilema (22,2%), crucial para a competitividade.

Em cargos de liderança, o vazamento de informações (22,1%) surge como a vulnerabilidade ética mais expressiva. Santos enfatiza que a resolução desses dilemas exige mais do que treinamento; é fundamental alterar o contexto e a gestão. 'É preciso mudar o contexto em que os trabalhadores estão inseridos. Líderes também precisam entender como fazer gestão. O grande ponto é trabalhar principalmente as zonas cinzentas', conclui.

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