EUA CLASSIFICAM FACÇÕES

Designação de PCC e CV como terroristas não ameaça o Pix, dizem especialistas

Fachada do Capitólio dos Estados Unidos com bandeira americana ao fundo.
A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC e o CV como organizações terroristas gerou incertezas, mas não ameaça o Pix.

A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas gerou incertezas no mercado financeiro. Especialistas avaliam riscos e desmistificam boatos sobre o Pix.

A decisão dos Estados Unidos de classificar o PCC (Primeiro Comando da Capital) e o CV (Comando Vermelho) como organizações terroristas, anunciada nesta sexta-feira, 05/06/2026, não representa uma ameaça estrutural ao sistema de pagamentos instantâneos brasileiro, o Pix. Especialistas ouvidos pela CNN Brasil apontam que a medida, embora gere reações no mercado financeiro e incertezas sobre fluxos internacionais de capital, não afeta diretamente a soberania ou a operação do Pix.

A falta de clareza sobre os efeitos práticos da classificação foi um dos pontos que gerou apreensão inicial. Thiago Godoy, apresentador da Resenha do Dinheiro, explica que a designação modifica o tratamento dado a essas organizações pelos Estados Unidos e altera o nível de cooperação entre autoridades americanas e brasileiras, impactando a segurança percebida no mercado financeiro.

Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos, observou que a primeira reação do mercado ocorreu nas ações de bancos, que apresentaram maior volatilidade. A preocupação se estende a possíveis sanções relacionadas ao sistema financeiro internacional, com o receio de que bancos com relações indiretas com contas ligadas às facções possam sofrer restrições em transações internacionais, com bandeiras de cartão ou sistemas globais de pagamentos.

Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb, pondera que parte da volatilidade também foi influenciada pelo ambiente político brasileiro em ano eleitoral, onde discussões econômicas podem ser exploradas por diferentes grupos. Para ele, o cenário político adicionou uma camada de incerteza às dúvidas econômicas.

O debate sobre o Pix

A discussão sobre os desdobramentos da decisão incluiu especulações sobre impactos no Pix. Contudo, os especialistas avaliam que não há sinais concretos de risco estrutural ao sistema. A apresentadora ressalta que o Brasil é um parceiro comercial estratégico para os EUA, dificultando cenários que envolvam perda de controle sobre o Pix.

Bernardo Pascowitch reforça que o impacto sobre investimentos ligados ao Pix parece limitado. Ele argumenta que, diferentemente de um sistema controlado por uma empresa de capital aberto ou dependente de instituições privadas específicas, o Pix não apresenta um risco relevante a investimentos ou empresas neste momento. A volatilidade observada é atribuída, em grande parte, ao cenário político.

O programa Resenha do Dinheiro, realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, é apresentado por Thiago Godoy, conhecido como "Papai Financeiro", Marilia Fontes e Bernardo Pascowitch. O quadro busca abordar temas de educação financeira e investimentos de forma leve e descomplicada, com análises sobre os principais assuntos da economia. A Resenha do Dinheiro é exibida às sextas-feiras, às 19h, no canal CNN Money no YouTube, e aos domingos, às 15h, na CNN Brasil.

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