ALÍVIO FINANCEIRO
Desenrola 2.0: Pesquisa Quaest revela otimismo e alerta sobre vício em jogos
Programa do governo Lula promete renegociar dívidas com até 90% de desconto e juros de 1,99% ao mês, impulsionando a esperança de famílias endividadas. Quase metade da renda dos brasileiros está comprometida, segundo o Banco Central.
O governo Lula, atento aos desafios de endividamento que afligem milhões de brasileiros, lançou o programa Desenrola 2.0 na semana passada, uma iniciativa que já começa a gerar expectativas. Pesquisa da Quaest, divulgada nesta quarta-feira, 13 de maio de 2026, mostra que 38% dos brasileiros consideram que o programa "vai ajudar muito" as famílias a sair do endividamento, e outros 27% esperam uma ajuda "um pouco". Esta medida é crucial para a dignidade de inúmeras famílias, oferecendo uma ponte para a renegociação de dívidas com condições mais justas, visando mitigar o impacto de recordes de inadimplência e restaurar a estabilidade financeira em lares por todo o país.
O levantamento da Quaest detalha a percepção da população sobre a eficácia do Desenrola 2.0. Enquanto 38% vislumbram uma grande ajuda e 27% esperam um auxílio moderado, 33% dos entrevistados expressam ceticismo, afirmando que o programa não trará mudanças. Apenas 2% não souberam ou não quiseram responder. A maioria dos entrevistados, 57%, já tinha conhecimento do programa, enquanto 43% tomaram ciência de sua existência mais recentemente, demonstrando um alcance crescente da informação.
Voltado para cidadãos com renda mensal de até cinco salários-mínimos (R$ 8.105) e dívidas bancárias contraídas até 31 de janeiro de 2026, o Desenrola 2.0 representa uma oportunidade real de recomeço. As condições são atrativas: descontos nas dívidas que variam de 30% a 90% e uma taxa de juros limitada a 1,99% ao mês. Além disso, o programa permite que o trabalhador utilize até 20% do saldo de sua conta no Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS), ou até R$ 1 mil, para amortizar ou quitar integralmente os débitos.
A urgência do programa é justificada pelo cenário econômico desafiador. O endividamento das famílias brasileiras atingiu níveis alarmantes, com 80,4% em março, o pico da série histórica da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), realizada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC). Dados do Banco Central (BC) reforçam essa realidade, indicando que quase metade da renda dos brasileiros está comprometida com obrigações financeiras como cartão de crédito, empréstimos e financiamentos, aproximando-se dos patamares observados no final do governo Jair Bolsonaro (PL).
A pesquisa, encomendada pela Genial Investimentos, ouviu 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, entre os dias 8 e 11 de maio. Com uma margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos e um nível de confiança de 95%, os resultados fornecem um panorama robusto da opinião pública.
Um ponto de atenção levantado pela Quaest é a forte relação entre endividamento e vício em jogos online. Uma proposta de proibir beneficiários do Desenrola 2.0 de fazer apostas online por um período encontrou grande apoio: 79% dos entrevistados se declararam a favor da medida, contra apenas 16% que se posicionaram contra. O diretor da Quaest, Felipe Nunes, destaca que pesquisas qualitativas revelam que muitos buscam nas apostas uma saída para pagar contas (29%) ou gerar renda extra (27%), sendo que 46% dos inadimplentes já apostam.
No balanço geral, 50% dos entrevistados consideram o Desenrola 2.0 uma "boa ideia", pois "ajuda quem está endividado a sair do vermelho". Contudo, 22% veem a ajuda como parcial, e 23% o classificam como uma "má ideia", por acreditarem que estimula o endividamento. O programa, portanto, polariza opiniões, mas a necessidade de ação contra a inadimplência é um consenso que mobiliza governo e sociedade.
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