CLIMATIZAÇÃO E EFICIÊNCIA

Desafio do PIM para refrigerar um mundo mais quente com menos energia

Linha de montagem de aparelhos de climatização no PIM.
Produção de aparelhos de ar-condicionado no Polo Industrial de Manaus busca atender padrões internacionais de eficiência energética.

O Polo Industrial de Manaus produziu 6,72 milhões de aparelhos em 2025, enquanto o setor busca tecnologias mais sustentáveis frente à demanda recorde por energia.

O aquecimento global impõe um novo ritmo à indústria de climatização, transformando o conforto térmico de um item de conveniência em uma necessidade urgente de saúde pública e estabilidade energética. Em junho de 2026, a Europa Ocidental atingiu recordes históricos de temperatura, confirmando a tendência de anos sucessivos de extremo calor, conforme dados da Organização Meteorológica Mundial (OMM). Esse cenário coloca o Polo Industrial de Manaus (PIM) em uma posição estratégica diante de um mercado global que exige aparelhos cada vez mais eficientes para evitar o colapso das redes elétricas.

A Agência Internacional de Energia (IEA) estima que a demanda mundial por eletricidade para climatização cresceu 50% desde 2015, atingindo volumes que superam o consumo total da União Europeia. O risco sistêmico é evidente: embora a refrigeração represente 10% do uso anual de energia, responde por 30% da carga nos horários de pico, sobrecarregando infraestruturas como a dos Estados Unidos.

O papel do Polo Industrial de Manaus

Com números expressivos, o PIM consolidou sua relevância ao produzir, em 2025, cerca de 6,35 milhões de aparelhos tipo split e 374 mil unidades de janela ou parede, conforme dados parciais da Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa). Esse volume gerou um faturamento de R$ 12,64 bilhões. No contexto nacional, o setor de Aquecimento, Ventilação, Ar-Condicionado e Refrigeração (AVAC-R), monitorado pela Associação Brasileira de Refrigeração, Ar-Condicionado, Ventilação e Aquecimento (Abrava), faturou R$ 50,15 bilhões no mesmo período.

No entanto, o sucesso industrial não depende apenas da escala produtiva, mas da capacidade de inovar em eficiência. O desafio é aliar conforto a um consumo responsável, seguindo exigências como as do Programa Brasileiro de Etiquetagem, coordenado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro), e o compromisso nacional de reduzir Hidrofluorcarbonetos (HFCs) conforme a Emenda de Kigali ao Protocolo de Montreal.

A transição tecnológica já ocorre com a adoção de compressores inverter e inteligência artificial, capazes de ajustar o consumo em tempo real. Enquanto a China lidera em escala e exportação com tecnologias de ponta, o PIM enfrenta o desafio de integrar componentes e sistemas inteligentes que atendam às especificidades climáticas das regiões tropicais, garantindo sustentabilidade econômica e energética para o futuro.

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