MEDIDAS CONTRA TUBARÕES

Deputado Luciano Bivar defende extermínio de tubarões após ataques em Pernambuco

Duas pessoas gravemente feridas após ataques de tubarão em praias de Pernambuco.
Ataques de tubarão deixam duas pessoas gravemente feridas em PE

Proposta do parlamentar para "controlar a proliferação" de tubarões em áreas como Boa Viagem e Piedade repercute negativamente entre especialistas. Veja o que dizem os cientistas e como funcionam os atuais métodos de monitoramento.

O deputado federal Luciano Bivar (MDB) gerou polêmica ao defender o extermínio de parte da população de tubarões em Pernambuco. A declaração surge após incidentes graves em que uma jovem de 19 anos e um menino de 11 anos foram atacados nas praias de Boa Viagem e Piedade, respectivamente, em 31 de maio e 01 de junho de 2026. Especialistas consideraram a proposta "absurda" e "ecologicamente deturpada".

Em 2026, Pernambuco já registrou quatro ataques de tubarão. Em janeiro, um adolescente de 13 anos faleceu após ser mordido na Praia Del Chifre, em Olinda. Nos ataques mais recentes, as vítimas sofreram a perda de uma perna.

A fala de Luciano Bivar foi divulgada em um artigo de opinião. O deputado declarou que, embora não seja biólogo ou ambientalista, cresceu frequentando a Praia de Piedade e notou a drástica alteração no bioma marinho. Segundo ele, a "cadeia alimentar dos tubarões, em crescente proliferação" alterou o ecossistema local, levando ao desaparecimento de outras espécies marinhas.

Ataques de tubarão deixam duas pessoas gravemente feridas em PE

"Ou exterminamos um pouco desses tubarões, ou nossa fauna marinha de Piedade e Boa Viagem desaparecerá", afirmou Bivar, comparando a situação a ações pontuais de caça a elefantes no Quênia, que ocorreram em outras épocas para mitigar impactos em florestas e savanas. Ele lamentou os recentes ataques, contrastando com sua juventude, quando nadava nas praias sem receio de ser mordido. "Hoje, basta fazer uma vez. Ou nós controlamos essa proliferação ou adeus banhos de mar", concluiu.

Em entrevista posterior, o deputado reiterou sua hipótese, comparando a situação com o abate experimental de búfalos autorizado pela Justiça Federal em Rondônia. No entanto, naquele caso específico, tratava-se de uma espécie invasora. Bivar argumentou que a ausência de outras espécies marinhas, como tinteiros e caravelas, em Piedade e Boa Viagem, e a proliferação de tubarões, indicam um desequilíbrio na cadeia alimentar que precisa ser controlado.

O deputado informou que pretende consultar ambientalistas, como Sérgio Buarque, para buscar subsídios técnicos e propor medidas políticas objetivas para o controle do ecossistema marinho local. Ele busca viabilizar projetos que garantam a sustentabilidade e evitem o desaparecimento da fauna marinha na região.

Secretária do Cemit fala sobre incidentes com tubarões em praias pernambucanas

Danise Alves, secretária executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), refutou a ideia de extermínio. "Isso não é alternativa que exista. Alguns países tentaram, mas é ineficiente e ecologicamente deturpada", explicou. Ela detalhou que o tubarão-tigre, responsável por um dos ataques recentes, é migratório, enquanto o tubarão-cabeça-chata, envolvido no outro ataque, é mais residente. A eliminação de predadores de topo pode levar à proliferação excessiva de suas presas, desestabilizando a pesca, o turismo e o equilíbrio marinho.

A alternativa considerada mais plausível pela ciência, segundo Alves, é a educação ambiental, a pesquisa e o monitoramento. Esses estudos, interrompidos em 2015, serão retomados em junho de 2026 com um edital de investimento estadual. Os pesquisadores planejam capturar, microchipar e soltar os tubarões, além de implantar redes acústicas em áreas de incidência para rastrear os animais e compreender sua dinâmica migratória.

O professor Paulo Oliveira, da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), corrobora que o monitoramento e a educação ambiental são os caminhos mais eficazes. "Exterminar uma determinada espécie nunca foi solução para nada", afirmou. Ele destacou que tubarões não são insetos ou espécies exóticas invasoras, e que os incidentes podem estar relacionados às alterações do próprio habitat dos animais, que afetam seu comportamento.

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