ESQUEMA DE DESVIOS
Delegado utilizava estrutura da Polícia Civil para ocultar desvios no Instituto Rio Metrópole
Ministério Público aponta que o agente armazenava dinheiro de contratos sob suspeita na sede de empresa privada; autarquia movimentou R$ 480 milhões na gestão sob investigação.
O delegado da Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno, alvo da Operação Ouroboros, utilizava a estrutura da corporação para gerenciar o transporte e o armazenamento de valores desviados de contratos firmados pelo Instituto Rio Metrópole (IRM). Segundo denúncia apresentada pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ), o esquema consistia na retirada imediata de dinheiro em espécie das contas de empresas prestadoras de serviço da autarquia, sendo o montante levado para a sede da Rio Forte Vigilância e Segurança Privada, em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.
As investigações detalham que a operação era coordenada pessoalmente pelo delegado, que foi flagrado por imagens de segurança frequentando o local, muitas vezes utilizando um veículo oficial da Polícia Civil. Embora o registro formal da empresa esteja em nome de Leilson de Souza Nepomuceno, pai do investigado, o MPRJ sustenta que o controle efetivo era exercido pelo próprio Franquis, transformando o estabelecimento em um cofre para a organização criminosa, conforme revelado nesta sexta-feira, 10/07/2026.
Além da guarda de valores, o delegado teve participação ativa na administração do Instituto Rio Metrópole. Entre 27 de novembro e 16 de dezembro de 2023, ele recebeu poderes de gestão orçamentária e financeira concedidos pelo então presidente da autarquia, David Perini Vermelho, o Didê. Posteriormente, ocupou o cargo de Diretor de Desenvolvimento do IRM até ser preso na terça-feira, 07/07/2026.
A gestão de Didê, iniciada em janeiro de 2023, está sob forte escrutínio devido ao salto nos gastos da autarquia. Após alterações legais que permitiram a execução direta de obras, o Instituto Rio Metrópole viu seus dispêndios crescerem de R$ 7,3 milhões em 2023 para R$ 161,1 milhões no ano seguinte. Ao todo, R$ 480 milhões transitaram pela instituição durante o período investigado, com contratos que, segundo o Ministério Público, carecem de especificações técnicas essenciais, como a localização exata das intervenções urbanas realizadas.
O Ministério Público classifica a atuação como um desvirtuamento da função pública. A defesa de David Perini Vermelho declarou que os contratos investigados são de gestões anteriores e nega qualquer irregularidade, afirmando que o cliente é inocente e confia na Justiça. A decisão sobre as prisões e o prosseguimento da denúncia cabe ao Poder Judiciário, com o processo em fase de análise das provas coletadas pela Operação Ouroboros.
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