POLÍCIA E TRÁFICO
Delegado da Polícia Civil e investigadores presos em operação contra tráfico de drogas
Áudios revelam negociação de venda de entorpecentes e divisão de lucros entre policiais e membros de facção criminosa. Decisão judicial determinou prisão temporária, afastamento do cargo e bloqueio de bens.
Um delegado da Polícia Civil da Paraíba, Braz Morroni, e dois investigadores da corporação foram presos em uma operação deflagrada nesta terça-feira (2). A decisão, que também determinou o afastamento do cargo e o bloqueio de bens dos envolvidos, é resultado de uma investigação que apura o envolvimento de agentes públicos com facções criminosas. A investigação aponta que os policiais negociaram a venda de entorpecentes e a divisão de lucros com integrantes de um grupo criminoso, impactando diretamente a segurança pública e a confiança nas instituições.
Áudios obtidos pela investigação revelam detalhes da atuação do investigador Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como 'Bomba', que negociava a venda de 'loló' com membros de facções criminosas em presídios. Em uma das gravações, 'Bomba' instrui João Wicttor Alves de Lima, apontado pela Justiça como responsável pelo refino e comercialização de drogas, a verificar a quantidade de entorpecente disponível e a produzir material publicitário para a venda. O plano envolvia a utilização de contatos dentro de unidades prisionais para facilitar a comercialização dos ilícitos.
Conforme o áudio, o lucro da venda seria dividido entre cinco pessoas: 'Bomba', João Wicttor, o delegado Braz Morroni, e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, apelidado de 'Mão Branca'. A investigação, que durou mais de um ano e analisou cerca de 40 mil áudios, aponta que a organização criminosa teria movimentado aproximadamente R$ 10 milhões em quatro anos. A operação 'Perfídius' cumpriu oito dos nove mandados de prisão expedidos pela Justiça e 24 mandados de busca e apreensão, além de determinar o bloqueio de R$ 10 milhões.
O delegado Braz Morroni é descrito no documento judicial como um participante ativo do esquema, que não apenas tolerava as ações de seus subordinados, mas também se beneficiava dos lucros do tráfico. A decisão cita transferências financeiras e conversas interceptadas que indicariam a reserva de sua parte nos lucros. Em audiência de custódia realizada nesta terça-feira (2), a Justiça manteve a prisão temporária do delegado, que foi encaminhado para o Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.
Everton Rychelyson da Silva Aires, 'Bomba', é apontado como o principal operador do grupo, atuando como elo entre policiais e traficantes. Ele seria responsável por guardar drogas desviadas, negociar carregamentos, organizar a contabilidade clandestina e orientar sobre lavagem de dinheiro. Eduardo Jorge Ferreira do Egito, 'Mão Branca', também figura como participante direto na subtração e armazenamento de drogas. Ambos tiveram a prisão temporária mantida pela Justiça e foram levados ao mesmo presídio.
A investigação começou em fevereiro de 2025, após a denúncia de um traficante sobre o desvio de drogas apreendidas. A atuação dos policiais, ao invés de combater o crime, teria fortalecido facções criminosas, nutrindo um ciclo de ilegalidade e corrupção que mina a confiança da sociedade nas forças de segurança. A Justiça determinou a prisão temporária de Braz Morroni, Everton Rychelyson da Silva Aires e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, com indícios de participação direta na estrutura criminosa.
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