COMÉRCIO EXTERIOR EM ALERTA

Déficit comercial dos EUA dispara 42% em maio, desafiando tarifas de Trump

Recuo do tarifaço gerou revolta nas bolsas
Recuo do tarifaço gerou revolta nas bolsas — Foto: Brendan Smialowski/AFP

Aumento de 42,2% no saldo negativo ocorre em maio, com importações superando exportações, apesar das políticas protecionistas e tensões geopolíticas. Dados do Departamento de Comércio dos EUA apontam para desafios persistentes na balança comercial.

O déficit comercial dos Estados Unidos registrou um salto de 42,2% em maio de 2026, atingindo US$ 77,6 bilhões (aproximadamente R$ 400 bilhões). A elevação expressiva foi impulsionada pelo aumento das importações em 3,3%, totalizando US$ 395,3 bilhões, enquanto as exportações sofreram uma retração de 3,2%, caindo para US$ 317,7 bilhões. Os dados, divulgados pelo Departamento de Comércio dos EUA nesta terça-feira, 07/07/2026, revelam um cenário de maior compra de bens e serviços do exterior do que vendas para outros países.

Essa dinâmica ocorre em um contexto global complexo, marcado pela guerra no Oriente Médio, que impacta os fluxos comerciais internacionais, e pelo avanço acelerado dos investimentos em inteligência artificial. A busca por equipamentos e insumos para a construção de centros de dados nos Estados Unidos tem sido um dos fatores que elevam a demanda por importações.

Entre os itens que mais contribuíram para o aumento das compras externas, destacam-se bens de consumo, petróleo bruto, insumos industriais, automóveis e peças, além de equipamentos de informática. Por outro lado, as exportações de petróleo bruto e derivados registraram aumento após ataques conjuntos dos EUA e de Israel contra o Irã, conforme noticiado no fim de fevereiro. Contudo, produtos como medicamentos apresentaram queda nas vendas externas.

O crescimento do déficit comercial desafia diretamente a política de tarifas adotada pelo governo Donald Trump, que visava encarecer produtos importados e estimular a produção nacional. Especialistas apontam que empresas americanas podem ter antecipado importações para se precaver de futuras elevações tarifárias. Medidas de retaliação por parte de outros países também podem pressionar as exportações.

A tarifa global mínima vigente é de 10% sobre a maioria dos produtos importados, com taxas adicionais para setores como aço, alumínio, automóveis e autopeças. O governo americano ainda avalia a imposição de novas tarifas, com investigações em curso baseadas na Seção 301. O governo brasileiro, por exemplo, optou por não participar de audiências com representantes comerciais dos EUA, focando em negociações bilaterais.

Vale lembrar que em abril de 2026, o saldo negativo da balança comercial americana havia apresentado recuo em relação a março, beneficiado pelo pico de exportações de petróleo e derivados.

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