CERCO ÀS EMENDAS

Decisões de Dino sobre bloqueio de bens ampliam tensão entre STF e Câmara

Foto do ministro Flávio Dino durante sessão do Supremo Tribunal Federal.
Ministro Flávio Dino em sessão do STF.

Ministro do Supremo Tribunal Federal determina indisponibilidade de bens de políticos sem mandato. Presidente da Câmara critica intervenção judicial.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino determinou o bloqueio de patrimônio de políticos sem mandato envolvidos em apurações sobre desvios de emendas parlamentares, contrariando parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR). A medida, executada em 13/07/2026, visa garantir o ressarcimento aos cofres públicos e preservar a integridade da administração pública diante de denúncias de má gestão de verbas legislativas.

A decisão alcançou figuras como Valdemar Costa Neto (PL) e o ex-deputado Eduardo Cunha. Ambos rejeitam as acusações, enquanto os procedimentos seguem sob análise técnica. No cenário político, a medida gerou apreensão: líderes partidários interpretam a ofensiva como um endurecimento do controle sobre parlamentares de direita, elevando o clima de incerteza em Brasília.

Hugo Motta (Republicanos-PB), presidente da Câmara dos Deputados, informou em 13/07/2026 que a instituição colaborará com o envio das informações solicitadas por Dino. Apesar do compromisso institucional com a transparência, Motta classificou a ação como uma intervenção indevida na autonomia do Legislativo. Deputados próximos à presidência da Casa avaliam que não há margem para reação além dos canais institucionais, embora cresça o temor de que novas figuras da elite política nacional sejam incluídas no escopo da investigação.

O foco das autoridades recai sobre uma servidora da Câmara dos Deputados, identificada como Mariângela Fialek, conhecida como Tuca. A Polícia Federal (PF) aponta que ela exerceria papel estratégico na operacionalização das emendas sob suspeita. Investigações preliminares indicam trocas de mensagens entre a servidora e figuras como Valdemar Costa Neto e Eduardo Cunha sobre a destinação dos recursos. Fialek ocupou cargos de confiança durante a gestão de Arthur Lira (Progressistas-AL), o que ampliou o debate sobre os critérios de nomeação técnica na estrutura da Casa.

Enquanto a PGR e o STF divergem sobre a extensão das punições, o sentimento entre parlamentares é de fragilidade. A classe política receia que a tônica do Supremo seja a criminalização da própria ferramenta de emendas, caso a Câmara não se adeque integralmente às determinações impostas ainda em 2024. Nomes como o de Antônio Rueda (União) são citados nos bastidores como possíveis próximos alvos, aumentando a pressão sobre o Congresso.

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