SENADO ABRE MÃO
Davi Alcolumbre defende fim da escala 6x1 sem transição
Presidente do Senado, Davi Alcolumbre, sinaliza apoio à extinção imediata da escala 6x1, contrariando período de transição aprovado pela Câmara.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), manifestou apoio ao fim da escala de trabalho 6×1 sem a adoção do período de transição previsto na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) já aprovada pela Câmara dos Deputados. A posição foi apresentada durante reunião com representantes de centrais sindicais nesta quinta-feira, 02/07/2026, e foi recebida de forma positiva pelos participantes.
Segundo relatos de pessoas presentes no encontro, a sinalização surpreendeu os dirigentes sindicais, que avaliavam a possibilidade de Alcolumbre impor obstáculos à tramitação da proposta no Senado. A PEC foi aprovada pela Câmara em maio, mas desde então permanece sem avanços na Casa. A decisão de Alcolumbre em defender a retirada da transição impacta diretamente a rotina de milhões de trabalhadores, que teriam suas jornadas de trabalho alteradas sem um período de adaptação. O fim da escala 6x1, quando o trabalhador cumpre seis dias seguidos de trabalho com apenas um de descanso, é um anseio antigo de categorias profissionais que buscam melhores condições de dignidade e saúde.

O presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sergio Nobre, afirmou que as entidades sindicais consideram positiva a intenção de eliminar o período de adaptação previsto no texto aprovado pelos deputados. “Tem todas as condições para isso, até para as empresas implementarem isso de uma vez só”, declarou.
Pela redação aprovada na Câmara, o novo modelo de jornada, que garante duas folgas semanais, passaria a vigorar 60 dias após a promulgação da emenda constitucional. A proposta defendida por Alcolumbre é que as mudanças entrem em vigor imediatamente após a promulgação.
A adoção imediata da nova jornada era uma das propostas defendidas por integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Durante a tramitação na Câmara, no entanto, o Palácio do Planalto aceitou a inclusão do prazo de 60 dias para viabilizar a aprovação da matéria entre os deputados.
De acordo com um participante da reunião, Alcolumbre informou que pretende consultar a equipe técnica do Senado para avaliar a possibilidade de retirar o período de transição por meio de uma emenda de redação. Caso a alteração seja considerada apenas redacional, o texto poderá seguir para promulgação sem voltar à Câmara. Essa articulação pode acelerar a implementação da nova jornada, impactando diretamente a vida dos trabalhadores que aguardam por um descanso semanal mais digno.
Segundo esse interlocutor, foi o próprio presidente do Senado quem levantou a possibilidade durante a conversa com os sindicalistas. Na avaliação de participantes do encontro, a iniciativa também representa um gesto de aproximação com o Palácio do Planalto em meio ao desgaste recente entre Alcolumbre e o presidente Lula, após o Senado rejeitar a indicação de Jorge Messias para uma vaga no Supremo Tribunal Federal (STF).
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