SEGURANÇA E GASTOS

Custos com lideranças de facções no Sistema Penitenciário Federal atingem R$ 279 milhões

Fachada de unidade do Sistema Penitenciário Federal.
Manter presídios federais de segurança máxima exige alto investimento estatal.

Dados da Senappen revelam que manutenção de detentos de alta periculosidade no SPF alcançou recorde de R$ 46,4 mil por pessoa em 2025.

A manutenção de lideranças de organizações criminosas e detentos de alta periculosidade sob custódia do Sistema Penitenciário Federal (SPF) atingiu um patamar recorde de gastos públicos. A informação foi confirmada por meio da Lei de Acesso à Informação (LAI), revelando o impacto financeiro da estratégia de isolamento desses indivíduos para o erário.

Os números, apresentados em resposta a um pedido formal, mostram que o custo médio anual por detento no SPF chegou a R$ 46.462,44 em 2025, o maior valor registrado desde o início da série histórica em 2020. Atualmente, o sistema abriga 461 indivíduos com vínculos identificados a grupos criminosos, dos quais 159 desempenham funções de comando regional ou nacional, segundo dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).

Escalada nos gastos

A trajetória de custos revela uma ascensão contínua. Enquanto em 2021 o SPF demandou R$ 191,9 milhões, o montante subiu para R$ 279,3 milhões em 2025. Somente nos dois primeiros meses de 2026, as despesas operacionais das cinco unidades de segurança máxima já totalizavam R$ 51,9 milhões.

O SPF mantém unidades em Brasília (DF), Catanduvas (PR), Campo Grande (MS), Mossoró (RN) e Porto Velho (RO). A gestão dessas instalações, pautada na Lei de Execução Penal, foca na separação rigorosa de integrantes de 37 facções distintas, incluindo Comando Vermelho (CV), Primeiro Comando da Capital (PCC), Família do Norte (FDN), Guardiões do Estado (GDE), Bonde do Maluco, Sindicato do Crime e Terceiro Comando Puro (TCP).

A Senappen destaca que a estratégia de segregação tem sido eficaz, sem registros de homicídios ou rebeliões motivadas por conflitos entre facções nessas penitenciárias. Detalhes operacionais mais sensíveis, como protocolos de inteligência, seguem sob sigilo devido à natureza estratégica para a segurança pública.

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