ABERTURA CUBA-BRASIL
Cuba busca Brasil como plataforma de exportação após reformas econômicas
Embaixador Víctor Cairo vê oportunidades para agropecuária e energia brasileiras na ilha, que busca mercados no Caribe e Europa. Medidas são resposta à crise e a bloqueios dos EUA.
Cuba anunciou em 17 de junho um conjunto de reformas econômicas que visam flexibilizar o setor privado, mantendo, contudo, o controle político centralizado. Para o embaixador cubano no Brasil, Víctor Cairo, essa abertura representa um cenário promissor para a expansão dos setores de agropecuária e energia brasileiros na ilha. As decisões são um reflexo da severa crise econômica, energética e social que o país enfrenta há décadas, agravada por novas sanções energéticas impostas pelos Estados Unidos em janeiro.
Em entrevista ao Poder360, Cairo destacou o potencial para investimentos brasileiros. “Há muitas oportunidades para o capital brasileiro em Cuba. Existem muitas oportunidades no setor energético. Há muitas oportunidades no setor agroindustrial. O Brasil possui uma enorme capacidade de produção de alimentos, e Cuba necessita desses alimentos”, afirmou.
A ilha caribenha cogita a possibilidade de o Brasil atuar como uma plataforma estratégica para exportações destinadas aos mercados europeu e caribenho, viabilizada por meio de financiamento e investimentos brasileiros. Setores como o açucareiro, o energético e o de biofármacos também foram identificados como áreas com potencial de crescimento e cooperação.
O embaixador explicou que a cautela em relação às reformas se deve ao receio de novas sanções americanas. “Sempre fomos muito cautelosos porque qualquer medida adotada por Cuba precisa levar em consideração que, logo depois, o país será novamente alvo de agressões e bloqueios por parte dos Estados Unidos”, pontuou. As medidas, já estudadas e debatidas anteriormente, foram adiadas na expectativa de um cenário mais favorável, que, segundo Cairo, nunca se materializou.
Existe uma preocupação latente de que Washington imponha restrições a investidores estrangeiros interessados em Cuba, um tema que tem sido objeto de diálogo entre autoridades de ambos os países. “É importante que o Estado brasileiro proteja os empresários brasileiros que mantêm relações comerciais com Cuba. É ilegal que os Estados Unidos imponham sanções a um empresário brasileiro que não possui qualquer vínculo com os Estados Unidos apenas por manter relações comerciais com Cuba”, defendeu o embaixador.
Cairo também se manifestou contra as potenciais tarifas impostas pelos Estados Unidos ao Brasil, que somadas poderiam alcançar 37,5%. Ele criticou a atuação unilateral americana: “Não cabe a um Estado, agindo por conta própria e fora do marco jurídico das Nações Unidas, criar mecanismos internacionais para sancionar os países que desejar. Quando um empresário brasileiro, que não possui qualquer vínculo com os Estados Unidos, deseja fazer negócios com Cuba, sofre pressões dos Estados Unidos”, concluiu.
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