PL SOB ATAQUE
Crise com Flávio Bolsonaro expõe Rogério Marinho a pressão interna no bolsonarismo
Senador Rogério Marinho, coordenador da pré-campanha de Flávio Bolsonaro, enfrenta críticas internas após vazamento de áudios e mensagens comprometedores envolvendo o filho do ex-presidente.
Rogério Marinho sob pressão interna em meio à crise de Flávio Bolsonaro
O senador Rogério Marinho assumiu o centro das atenções da imprensa nacional nesta quinta-feira, 28/05/2026, em meio a uma crise política que abala a pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro para 2026. Como coordenador do projeto bolsonarista, Marinho passou a ser alvo de forte desgaste interno no PL após o escândalo envolvendo o vazamento de mensagens e áudios entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
Aliados descrevem o senador potiguar como mais reservado e cauteloso nos últimos dias, atravessando um dos momentos mais delicados desde que assumiu a missão de conduzir a articulação nacional da candidatura presidencial bolsonarista. O episódio, ligado ao financiamento do filme “Dark Horse”, inspirado na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro, transformou Rogério Marinho em alvo de críticas dentro do próprio campo conservador.
A coluna Radar, da revista Veja, reportou que Marinho vem sofrendo pressão de deputados e senadores insatisfeitos com a condução da campanha. Nos bastidores, o senador potiguar teria recebido o apelido de “CEO da campanha”, numa referência ao estilo centralizador com que estaria conduzindo as decisões internas do grupo. Parlamentares reclamam da dificuldade de acesso a Flávio Bolsonaro e da falta de previsibilidade sobre agendas políticas, além de insatisfação com orientações estratégicas vindas da coordenação de campanha, inclusive sobre temas sensíveis debatidos no Congresso Nacional, como a discussão em torno do fim da escala 6×1.
A situação se agravou com novas revelações sobre as conversas de Flávio Bolsonaro com Daniel Vorcaro. Mensagens e áudios, divulgados pelo site The Intercept Brasil, mostram o senador cobrando repasses milionários para a produção do longa-metragem. O orçamento previsto para o filme seria de R$ 134 milhões, com parte dos recursos envolvendo pelo menos 10 milhões de dólares destinados à produção.
Em uma das gravações vazadas, Flávio Bolsonaro admite desconforto ao cobrar os pagamentos: “Apesar de você ter dado a liberdade da gente te cobrar, eu fico sem graça de ficar te cobrando”, afirmou ao banqueiro, alertando para o risco de paralisação do projeto caso os recursos não fossem liberados. A repercussão do caso intensifica o temor dentro do PL sobre possíveis novos desdobramentos.
Em reportagem publicada pela coluna de Diego Amorim, no PlatôBR, Rogério Marinho aparece enfrentando problemas de “fogo amigo” dentro do próprio bolsonarismo. Aliados passaram a cobrar garantias de que não existem novas revelações capazes de aprofundar ainda mais a crise envolvendo Flávio Bolsonaro. A resposta atribuída a Marinho foi direta: “Ou o Flávio é psicopata ou realmente não tem nada. Porque ele tem jurado que não há mais nada”, disse o senador, segundo relato publicado pela coluna.
Apesar do desgaste, integrantes do PL avaliam que o dano político sofrido por Flávio Bolsonaro foi, até o momento, limitado. A leitura interna é que houve desgaste na imagem do senador, mas sem transferência automática de votos para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Rogério Marinho tem adotado postura mais discreta publicamente. Nos bastidores, aliados já descrevem o senador como mais silencioso e cabisbaixo diante da sucessão de desgastes que atingiram diretamente o projeto presidencial que ele ajudou a construir.
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