ALERTA NA REDE

Crimes virtuais contra menores crescem 78% durante o período de férias

Criança utilizando celular com olhar atento em ambiente interno.
O excesso de exposição digital sem supervisão aumenta riscos de aliciamento e violência contra crianças e adolescentes.

Dados do Noad, da Polícia Civil de São Paulo, revelam aumento na indução à violência e automutilação; delegada Lisandréa Salvariego aponta o isolamento como sinal de alerta.

O número de crianças e adolescentes vítimas de crimes virtuais durante as férias escolares registrou uma alta de 78% em comparação ao ano anterior. O aumento foi confirmado pelo Núcleo de Observação e Análise Digital (Noad), da Polícia Civil de São Paulo, que detalhou a vulnerabilidade crescente dessa parcela da população no ambiente online entre os dias 15 de junho e 15 de julho.

O levantamento aponta que os casos saltaram de 89 para 158 registros. Entre os crimes identificados pelo Noad estão a indução à automutilação, o incentivo ao suicídio e o zoosadismo, prática de crueldade contra animais que, segundo a análise, triplicou de incidência no mesmo período.

A delegada Lisandréa Salvariego, coordenadora do Noad, destaca que a maioria das vítimas são meninas com idades entre seis e 15 anos. Além disso, as investigações revelam uma faceta preocupante: muitos dos autores desses delitos também são adolescentes. “A grande maioria são meninos considerados tranquilos, que não costumam dar trabalho para a família. Justamente por isso, o isolamento social e a mudança de comportamento são sinais que não podem ser ignorados”, alerta a delegada.

A dinâmica do aliciamento digital ocorre, muitas vezes, por meio de algoritmos que expõem os jovens a conteúdos gradualmente mais violentos. O ciclo costuma iniciar com vídeos inofensivos, evoluindo para materiais extremistas, discursos de ódio e misoginia, que atuam na dessensibilização dos usuários.

Para combater essa ameaça, a Polícia Civil reforça a importância do monitoramento parental e do diálogo aberto. A orientação é que os responsáveis utilizem ferramentas de controle, respeitem a classificação indicativa das plataformas e fiquem atentos a alterações bruscas de comportamento.

Em casos de suspeita, a recomendação é registrar a denúncia formal através do e-mail do Noad ([email protected]) ou outros canais oficiais, permitindo que as equipes especializadas iniciem a investigação e interrompam o ciclo de violência.

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