IMPULSO AO CAMPO
Crédito rural para agricultura familiar alcança R$ 716 milhões no RN
O setor concentrou 72% dos financiamentos no Rio Grande do Norte até julho, impulsionando a segurança alimentar e a economia local.
A agricultura familiar consolidou-se como o motor do campo no Rio Grande do Norte, concentrando 72% de todo o crédito rural concedido no Estado. O montante de R$ 716,77 milhões, viabilizado por meio do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) nos 12 meses encerrados em julho de 2026, reflete uma mudança estratégica no perfil produtivo potiguar.
O volume representa um salto de 31% na comparação com o ciclo anterior, superando o crescimento geral do crédito rural no RN, que avançou 9%, atingindo R$ 991 milhões. Os dados, compilados pelo Banco Central, englobam operações de instituições financeiras públicas e privadas e evidenciam a relevância do setor para a dignidade das famílias rurais.
Impacto na subsistência e desenvolvimento
Para o economista Helder Cavalcanti, a expansão do crédito é fundamental porque, no contexto da agricultura familiar, o orçamento da propriedade e o da família se confundem. “A decisão de financiar uma máquina ou investir em irrigação interfere diretamente na segurança financeira daquelas pessoas”, ressalta. O fortalecimento do setor é visto por especialistas não apenas como uma métrica de mercado, mas como um mecanismo de sobrevivência que garante a manutenção de pequenas unidades produtivas.
Marcos Barbosa, Consultor de Negócios Agro da Central Sicredi Nordeste, destaca que esse movimento reflete a reestruturação da demanda. Enquanto linhas tradicionais para produtores médios, como o Pronamp, apresentaram acomodação, a agricultura familiar assumiu o protagonismo, impulsionando também a segurança alimentar regional.
Acesso ao crédito e resiliência
A superintendência do Banco do Nordeste (BNB) no RN explica que o aumento foi puxado pela ampliação dos limites de crédito e pelo maior alcance do programa de microfinança rural, o Agroamigo. Jeová Lins, superintendente do BNB/RN, detalha que um produtor regularizado no Cadastro Nacional da Agricultura Familiar (CAF) pode acessar até R$ 69 mil no Pronaf B.
Mesmo diante de desafios climáticos comuns ao Semiárido, a inadimplência no Agroamigo permanece abaixo de 2%. “O agricultor familiar é um bom pagador. Zelar pelo próprio nome é valioso para quem trabalha na terra”, afirma Lins. O crédito, agora, foca na diversificação produtiva, com destaque para o Inovagro, que cresceu 45,4%, e o Funcafé, que ampliou significativamente sua capilaridade no Estado.
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