FINANCIAMENTO DO CAMPO
Crédito rural para Agricultura Empresarial atinge R$ 477,2 bilhões na safra 2025/26
Dados do Mapa revelam protagonismo da CPR na composição do crédito; investimentos foram freados por juros elevados e instabilidade econômica.
O crédito rural destinado à Agricultura Empresarial alcançou R$ 477,2 bilhões durante a safra 2025/26, conforme balanço divulgado pelo Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária) nesta sexta-feira, 10 de julho de 2026. O montante, que exclui os recursos voltados ao Pronaf (Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar), evidencia as mudanças nas estratégias de financiamento dos produtores diante de um cenário econômico desafiador.
A configuração do mercado mudou significativamente, com a CPR (Cédula de Produto Rural) consolidando-se como a principal ferramenta financeira do setor privado. O instrumento representou 43% do total, somando R$ 205 bilhões, superando o custeio tradicional, que respondeu por 31,5% (R$ 150 bilhões). Outros destinos relevantes do crédito incluíram Investimento (R$ 50 bilhões), Comercialização (R$ 37 bilhões) e Industrialização (R$ 33 bilhões).
Segundo o Mapa, a execução dos programas de investimento somou R$ 50,5 bilhões. O desempenho foi impactado por uma combinação de fatores: juros elevados, instabilidade internacional, inadimplência e custos de produção oscilantes. Além disso, a maior seletividade das instituições financeiras na concessão de crédito, somada aos riscos climáticos, limitou a demanda, mantendo os investimentos abaixo do programado.
No recorte por programas de investimento, a distribuição apresentou números como: Renovagro (R$ 5,16 bilhões), Pronamp (R$ 5,22 bilhões) e Moderfrota (R$ 4,22 bilhões). Outras linhas, como Inovagro, Moderagro, PCA, Procap-agro, Proirriga e Prodecoop, completaram o portfólio de fomento.
Geograficamente, a região Sul liderou o volume de recursos, com R$ 81,1 bilhões distribuídos em 146 mil contratos. A região Sudeste somou R$ 75,8 bilhões e o Centro-Oeste alcançou o mesmo patamar de valores, demonstrando a capilaridade do crédito no território nacional. O relatório destaca que, no Sul, o tíquete médio mais baixo, de R$ 552,2 mil, reflete uma maior pulverização de recursos entre produtores de menor escala.
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