DECISÃO JUDICIAL NA ITÁLIA
Corte Suprema italiana rejeita extradição de Carla Zambelli para o Brasil
Instância máxima da Justiça italiana anula pedido de extradição. Ex-deputada estava presa em Roma desde julho e foi liberada após o veredito.
A Corte Suprema de Cassação, a mais alta instância da Justiça italiana, decidiu nesta segunda-feira, 25/05/2026, rejeitar o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil. A decisão, tomada em Roma, anulou um entendimento anterior da Corte de Apelação italiana, que havia autorizado o envio da parlamentar ao país para o cumprimento de pena. Seis magistrados analisaram o caso e o resultado representa uma virada significativa, permitindo a imediata libertação de Zambelli. As fundamentações detalhadas da Corte ainda serão oficialmente divulgadas nos próximos dias.
Após a decisão favorável, Carla Zambelli foi libertada do presídio feminino de Rebibbia, onde se encontrava detida desde julho. Em um vídeo compartilhado nas redes sociais de seu advogado, Pieremilio Sammarco, a ex-deputada expressou gratidão e celebrou o desfecho. "Essa vitória foi de Deus, eu consagrei nossa vitória a Deus. Ele conseguiu, deu força para os nossos advogados. Agora a gente está livre, graças a Deus, para continuar uma vida de missão", declarou.

O advogado Pieremilio Sammarco detalhou que a defesa sustentou a existência de "vícios processuais" no julgamento brasileiro, além de levantar questionamentos sobre as condições do sistema prisional no Brasil e o estado de saúde de Zambelli. "Há várias contradições e omissões na sentença da Corte de Apelação, como o fato de não ter se pronunciado sobre a averiguação das condições da Colmeia", apontou Sammarco, referindo-se à unidade prisional prevista para o recebimento da ex-deputada no Brasil, citando problemas de infraestrutura e sanitários. A defesa também indicou uma piora recente no quadro de saúde da ex-parlamentar.
Na audiência, o governo brasileiro foi representado pelo advogado Enrico Giarda, da Advocacia-Geral da União (AGU). Giarda argumentou contra a rejeição do recurso, ressaltando que o processo brasileiro não deveria ser reexaminado na Itália e que a defesa buscava rediscutir o mérito das condenações. "Pedimos a rejeição do recurso e evidenciamos que o processo brasileiro não pode ser refeito na Itália", afirmou.
Antes da análise principal, os advogados de Zambelli haviam solicitado o adiamento do julgamento, pedindo que os dois pedidos de extradição contra ela fossem julgados em conjunto. A Corte de Cassação, contudo, negou o pedido, priorizando uma resolução mais célere devido à prisão da ex-deputada.
Carla Zambelli responde a dois processos de extradição distintos iniciados pelo Brasil. O primeiro processo resulta de uma condenação a dez anos de prisão pela invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela emissão de um falso mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. O segundo caso envolve uma condenação a cinco anos de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal, decorrente de um incidente em que a então deputada perseguiu um homem armada em São Paulo, pouco antes das eleições de 2022.
As duas ações haviam sido previamente analisadas de forma conjunta pela Corte de Apelação italiana, que havia emitido decisões separadas favoráveis à extradição. O recurso julgado nesta segunda-feira referia-se à primeira dessas decisões. O segundo caso ainda aguarda apreciação pela Justiça italiana em data futura.
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