FRAUDE NO ESTADO

Corrupção no Instituto Rio Metrópole persistiu mesmo após auditoria

Equipes da Polícia Civil e do MPRJ em operação no Instituto Rio Metrópole.
Operação do MPRJ e Polícia Civil investiga fraudes em contratos do Instituto Rio Metrópole.

Investigação revela que gestores do IRM elevaram contratos suspeitos após ordem de fiscalização. Aditivos irregulares triplicaram ganhos de empresa.

O Instituto Rio Metrópole manteve um esquema de desvios de verbas públicas mesmo após a determinação de uma auditoria rigorosa em todos os órgãos da administração estadual, conforme revelado nesta segunda-feira, 13/07/2026. A medida, instaurada em 14 de abril de 2025, logo após o desembargador Ricardo Couto assumir o governo do Estado, visava moralizar a gestão, mas falhou em interromper irregularidades internas.

Pouco mais de um mês depois, em 14 de maio de 2025, o presidente do IRM, Davi Perini Vermelho, conhecido como Didê, e o diretor de planejamento, Maurício Silva Knoploch dos Santos, assinaram o quarto aumento consecutivo em um contrato sob suspeita. A decisão, que ignorou os protocolos de transparência, resultou na prisão de ambos em operação deflagrada pela Polícia Civil e pelo MPRJ.

O contrato em questão, celebrado com a empresa Engeconsult Consultores LTDA, saltou de R$ 20 milhões em 2023 para quase R$ 60 milhões — um reajuste de 190%. A Controladoria Geral do Estado, por meio da CGE, apontou que o aditivo descumpriu o teto legal de 25% estabelecido pela Lei de Licitações, classificando o documento como um "emaranhado pouco compreensível" que expunha o Estado a riscos de terceirização indevida de atividades fim.

A celeridade atípica nas decisões administrativas foi um dos pontos cruciais identificados pelo Ministério Público. Em um despacho datado de 30 de abril de 2025, Maurício Silva Knoploch dos Santos manifestou interesse na contratação apenas 23 minutos após receber o parecer jurídico. Além disso, pedidos de pagamento eram aprovados com agilidade suspeita pelo procurador-geral do IRM, Marcelo Lopes da Silva, que também foi preso na operação por ignorar pareceres contrários aos repasses.

O procurador-geral de Justiça do Rio, Antônio José Campos Moreira, afirmou que as investigações seguem em curso, tratando este episódio apenas como uma parte de um conjunto maior de irregularidades. A gestão do Instituto Rio Metrópole, que movimentou cerca de R$ 480 milhões, segue sob escrutínio das autoridades enquanto a sociedade aguarda a responsabilização pelos danos causados ao erário.

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