ÉTICA PÚBLICA EM XEQUE

Corregedoria apura uso indevido de instalações da PM em Gurupi

Sede do Comando Geral da Polícia Militar do Tocantins, vista do Google Street View
Sede do Comando Geral da Polícia Militar do Tocantins — Foto: Reprodução/Google Street View

Ex-dentista da Polícia Militar é investigada por suposta captação de pacientes e cobranças indevidas. Processo administrativo em andamento.

A Corregedoria-Geral do Estado do Tocantins instaurou, nesta quarta-feira, 29/04/2026, um processo administrativo para apurar a conduta de uma ex-dentista da Polícia Militar em Gurupi. A decisão, formalizada por portaria em 22 de abril de 2026, surge após um levantamento que aponta a suspeita de uso de instalações públicas para atendimentos particulares, além da captação de usuários do serviço público para uma clínica privada. O caso levanta sérias questões sobre a integridade do serviço público e o uso adequado de recursos que deveriam beneficiar toda a comunidade, impactando diretamente a confiança da sociedade nas instituições e na prestação de serviços essenciais.

A investigação contra a ex-servidora, que atuava sob contrato temporário e teve sua identidade preservada por razões éticas e de privacidade, teve início a partir de um levantamento preliminar conduzido pela própria Corregedoria-Geral da PM. Este passo inicial sublinha o compromisso das instituições com a fiscalização interna e a transparência, crucial para manter a credibilidade do sistema.

Em nota, a Polícia Militar do Tocantins esclareceu que a profissional não possuía vínculo direto como servidora, prestando seus serviços por meio de uma entidade privada contratada para a gestão. A corporação salienta que essa modalidade contratual delimita as responsabilidades administrativas e, até o momento, não foram constatados prejuízos ao patrimônio público, com materiais e insumos permanecendo sob controle regular.

O documento da Corregedoria detalha as graves suspeitas: a ex-dentista teria utilizado as instalações públicas da PM em Gurupi para realizar atendimentos particulares, desviando, assim, a finalidade dos recursos destinados à população. Além disso, há indícios de que ela captava pacientes do serviço público para atendimento em sua própria clínica particular, cobrava por serviços iniciados no ambiente institucional e não registrava formalmente os procedimentos odontológicos realizados. Se comprovadas, tais práticas representam uma séria quebra na ética profissional e na transparência exigidas de quem serve ao público, podendo lesar a dignidade dos cidadãos que dependem do serviço público.

Para garantir uma apuração rigorosa e imparcial, a Corregedoria designou uma comissão permanente de procedimentos disciplinares. Este grupo terá a responsabilidade de investigar os fatos, assegurando o devido processo legal, o contraditório e a ampla defesa da envolvida, com a análise sendo conduzida dentro dos prazos estipulados pela legislação. Importante ressaltar que a decisão administrativa ainda não é definitiva e cabe recurso, conferindo à ex-servidora a oportunidade de apresentar sua versão dos fatos e contestações.

A Polícia Militar do Tocantins reforça que não compactua com desvios de conduta e adota continuamente mecanismos de controle e fiscalização para assegurar a correta aplicação dos recursos públicos e a qualidade dos serviços prestados à comunidade. O caso segue em apuração, com a instituição preservando detalhes adicionais em respeito à legislação vigente.

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