DESACELERAÇÃO DO SETOR

Construção civil em Minas Gerais registra desempenho abaixo do Brasil

Canteiro de obras representando o setor da construção civil.
O setor de construção civil enfrenta desafios para manter o ritmo em Minas Gerais.

Dados da Fiemg apontam queda no PIB mineiro e retração nas vagas de trabalho no primeiro trimestre de 2026; crédito caro limita a recuperação.

A construção civil em Minas Gerais apresentou uma retração de 3,7% no Produto Interno Bruto (PIB) do setor durante o primeiro trimestre de 2026, cenário que destoa do crescimento de 1,3% observado no restante do Brasil no mesmo período. Conforme dados divulgados pelo Boletim da Construção da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) nesta quinta-feira, 09/07/2026, a desaceleração local reflete dificuldades estruturais que impactam diretamente a geração de emprego e a viabilidade de novos projetos.

O impacto prático dessa estagnação é visível no mercado de trabalho. Enquanto o Brasil registrou uma leve alta de 0,4% na ocupação do setor, Minas Gerais sofreu uma queda de 2,4% no número de trabalhadores ativos em relação aos primeiros meses de 2025. Para muitas famílias, a redução nas contratações significa menos renda circulando e maior dificuldade de inserção profissional.

João Gabriel Pio, economista-chefe da Fiemg, pontua que a combinação de taxas de juros elevadas e um nível de confiança retraído impede que o setor ganhe fôlego. "A combinação de crédito ainda caro, elevado custo de financiamento e baixo nível de confiança continua restringindo os investimentos privados e dificultando uma retomada consistente da atividade", afirmou o especialista.

Embora existam sinais pontuais de respiro, como o crescimento de 8,7% nas vendas de materiais de construção em março de 2026 na comparação interanual, o acumulado do ano permanece negativo, com retração de 1,9%. O custo da construção também impõe barreiras; o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC-DI) acumulou alta de 5,84% nos últimos 12 meses até março, puxado significativamente pela elevação de 8,82% no valor da mão de obra.

Apesar do volume recorde de R$ 21,8 bilhões em financiamento imobiliário registrado em abril de 2026, a pressão dos juros permanece como o principal gargalo. A expectativa da Fiemg é de que o ano encerre próximo da estabilidade, dependendo de investimentos públicos e programas habitacionais para evitar um cenário de queda mais acentuada.

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