DECISÃO ADIADA
Conselho Nacional de Política Energética adia decisão sobre mistura de etanol na gasolina
Reunião do CNPE, que definiria o aumento do etanol anidro na gasolina de 30% para 32%, foi cancelada sem nova data. Decisão impacta segurança energética e preço do combustível.
O Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) adiou, mais uma vez, a reunião que definiria o aumento do percentual obrigatório de etanol anidro misturado à gasolina. A expectativa era que a medida, que elevaria a mistura de 30% para 32% (E32), fosse aprovada na manhã desta quarta-feira, 08/07/2026, em Brasília, durante encontro no Ministério de Minas e Energia (MME). O MME ainda não informou os motivos do cancelamento nem uma nova data para a realização do encontro. A decisão impacta diretamente a segurança energética do país, a produção nacional de biocombustíveis e a potencial redução na dependência de gasolina importada.
Segundo apurou a reportagem, a pauta controversa, que inclui temas como a política de comercialização do gás natural da União e a repactuação de dívidas de Angra 3, contribuiu para o adiamento. O aumento da mistura de etanol estava previsto para ser analisado pelo CNPE desde maio, mas três reuniões anteriores já haviam sido canceladas ou adiadas por questões de agenda, demonstrando a complexidade do tema.
A expectativa por essa elevação foi alimentada pelo próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que em abril anunciou publicamente a intenção de aumentar a mistura de etanol para 32% e a de biodiesel para 16%, antecipando a deliberação formal do conselho. Apesar do apoio interno e do setor sucroenergético, a discussão técnica gerou questionamentos. Enquanto o MME argumenta que não são necessários novos testes para o avanço de 30% para 32%, parte do setor de combustíveis solicitou análises adicionais sobre o desempenho e compatibilidade.
A recente escalada das tensões no Oriente Médio e a consequente alta nos preços internacionais do petróleo reavivaram a preocupação com a dependência brasileira de gasolina importada. Nesse contexto, o governo passou a defender o aumento da mistura de etanol como uma estratégia crucial para ampliar a segurança energética nacional, fortalecer a produção local de biocombustíveis e mitigar os efeitos da volatilidade do mercado externo. Estimativas do MME indicam que a adoção do E32 poderia reduzir a necessidade de importação de gasolina em cerca de 450 milhões de litros anualmente e evitar a emissão de aproximadamente 552 mil toneladas de dióxido de carbono equivalente (CO₂e).
A possibilidade de ampliar a participação do etanol na gasolina foi viabilizada pela Lei do Combustível do Futuro. Essa legislação estabeleceu novos mecanismos para incentivar a descarbonização do setor de transportes, ampliando a faixa permitida para a mistura obrigatória de etanol anidro na gasolina de 22%-27% para 22%-35%. A decisão, embora fundamentada em ganhos ambientais e de segurança energética, também é observada sob uma ótica política, especialmente a poucos meses das eleições, onde iniciativas que aliviam a pressão sobre o preço da gasolina podem influenciar positivamente a percepção pública e a popularidade do governo.
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