CÉUS EM CRISE
Companhias aéreas cancelam mais de 2 mil voos no Brasil
Redução de 2,9% na malha aérea tira 10 mil assentos diários; alta do querosene de aviação impacta conectividade regional.
Companhias aéreas brasileiras decidiram cortar mais de 2 mil voos programados para o mês de maio, uma medida drástica que responde à escalada do preço do petróleo e do querosene de aviação. A decisão, revelada nesta terça-feira, 21/04/2026, diminui em 2,9% a malha aérea nacional, retirando cerca de 10 mil assentos diários e afetando diretamente a mobilidade e conectividade de milhares de passageiros, especialmente em regiões já carentes de opções de transporte.
O impacto dessas suspensões é significativo: 2.015 voos a menos no mês de maio, conforme dados do sistema da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). A média diária de voos no país caiu de 2.193 para 2.128, o que equivale à retirada de aproximadamente 12 aeronaves de médio porte da operação regular. Para o viajante, isso significa menos opções, potenciais aumentos de preços nos voos restantes e, em muitos casos, maior dificuldade para acessar cidades remotas.
Os cortes se concentraram principalmente em rotas consideradas menos rentáveis pelas companhias. Estados como Amazonas, com uma redução drástica de 17,5% na oferta de voos, Pernambuco (-10,5%), Goiás (-9,3%), Pará (-9,0%) e Paraíba (-8,9%), sentem o peso dessa readequação. Enquanto isso, trechos de alta demanda, como as pontes aéreas São Paulo–Rio de Janeiro e São Paulo–Brasília, não sofreram impactos expressivos até o momento.
O setor aéreo atribui a diminuição na oferta de voos diretamente a um reajuste de 54% no preço do querosene de aviação, aplicado pela Petrobras no início de abril. Há, ainda, uma preocupante expectativa de novo aumento, estimado em cerca de 20%, previsto para maio, o que poderia agravar ainda mais o cenário.
Diante dessa crise, o governo federal buscou mitigar os efeitos com algumas medidas, como a isenção de PIS/Cofins sobre o combustível, o adiamento de tarifas de navegação aérea e a promessa de financiamento por meio do Fundo Nacional de Aviação Civil (FNAC), além da possibilidade de parcelamento dos reajustes.
Contudo, as companhias aéreas consideram essas ações insuficientes para reverter o quadro. Elas apontam dificuldades persistentes relacionadas aos elevados custos operacionais, incluindo os juros aplicados pela Petrobras, e clamam por novas medidas. O setor defende uma revisão mais ampla de tributos e a criação de incentivos robustos que possam aliviar a pressão financeira e garantir a sustentabilidade das operações aéreas no Brasil.
Até a última atualização, a Petrobras não havia se manifestado sobre o tema.
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