GESTÃO SOB SUSPEITA
Como o Instituto Rio Metrópole se tornou alvo de investigação por corrupção
Ministério Público investiga desvio de R$ 86 milhões em contratos do IRM após órgão expandir poderes para execução de obras públicas.
O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) deflagrou uma investigação sobre um esquema de corrupção envolvendo o Instituto Rio Metrópole (IRM), revelando um desvio de R$ 86 milhões em contratos públicos. A decisão, tornada pública em 12 de julho de 2026, aponta que a autarquia, criada originalmente para o planejamento estratégico da Região Metropolitana, sofreu uma transição controversa para a execução direta de obras, facilitando o que promotores descrevem como uma organização criminosa que utilizou recursos da população para enriquecimento ilícito.
A transformação do IRM, que deveria atuar na integração urbana, impacta diretamente a sociedade, pois os recursos destinados a melhorias estruturais em cidades do Rio de Janeiro foram desviados, comprometendo o bem-estar coletivo e a eficácia das políticas públicas. A investigação, que segue em curso e cabe recurso, expõe como a falta de transparência em contratos de pavimentação e infraestrutura impediu o controle social sobre o dinheiro público.
A cronologia do desvirtuamento do IRM aponta que, em 2023, uma lei sancionada pelo governador Cláudio Castro permitiu que o instituto executasse obras. O resultado foi um salto nas despesas, que passaram de R$ 7,3 milhões para R$ 161,1 milhões em um único ano. O promotor de Justiça Décio Alonso destacou a dificuldade em identificar a finalidade real dos contratos, enquanto a promotora Roberta Jorio reforçou que o objetivo da autarquia foi deturpado pela gestão.
No âmbito da Operação Ouroboros, onze pessoas foram denunciadas, incluindo David Perini Vermelho, o Didê, ex-presidente do órgão. A defesa de Didê afirma que os contratos investigados remontam à gestão anterior e que a inocência do acusado será comprovada junto à Justiça. O caso, agora sob análise do Judiciário, coloca em xeque a governança de órgãos da Região Metropolitana e a integridade da administração estadual.
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