RISCO NO MAR
Como o conflito no Estreito de Ormuz eleva custos de seguros marítimos na Lloyd's
As seguradoras do mercado de Londres ajustam apólices em tempo recorde enquanto a instabilidade no Oriente Médio coloca em xeque a segurança de cargueiros.
A instabilidade geopolítica no Oriente Médio, acirrada após os episódios de 28 de fevereiro, forçou as seguradoras a redesenharem suas estratégias de risco para o tráfego no Estreito de Ormuz. Em um cenário onde a segurança é precificada quase hora a hora, o mercado londrino atua sob pressão para garantir a viabilidade das rotas marítimas, equilibrando a proteção de vidas humanas com a viabilidade econômica do transporte global.
As taxas de seguro de guerra, que tradicionalmente variavam entre 0,25% e 0,5% do valor da carga, saltaram para patamares de até 10% logo após os conflitos envolvendo Estados Unidos e Israel. Nesta domingo, 12/07/2026, embora os prêmios tenham recuado para uma faixa entre 1% e 3%, a incerteza permanece alta. Especialistas como David Smith, da McGill and Partners, destacam que a natureza volátil do trânsito na região impede uma estabilização dos custos a curto prazo.
A urgência é ilustrada por situações extremas, onde a necessidade de cobertura é solicitada minutos antes da entrada das embarcações na zona de perigo. Para as seguradoras, o desafio é manter a operacionalidade sem ignorar as sanções internacionais, como a proibição de pagamento de taxas de navegação a entidades vinculadas ao Irã. O risco de que cargueiros fiquem retidos no Golfo Pérsico é real, o que poderia elevar o número de embarcações declaradas como perda total.
Enquanto a Lloyd's mantém sua tradição secular — registrando minuciosamente cada sinistro em seus Livros de Perdas com penas de cisne —, o mercado lida com uma realidade tecnológica e militar sem precedentes. A preservação da vida dos marinheiros e a integridade das frotas dependem agora de uma dança complexa entre a diplomacia geopolítica e a precisão técnica das apólices de seguro, que permanecem vigentes por períodos cada vez mais curtos, muitas vezes limitados a poucos dias.
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