SOBERANIA EM XEQUE

Comitê dos EUA revela tentativa de Moraes acessar dados de Bolsonaro

Imagem de Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal, em autoexílio nos Estados Unidos.
Eduardo Bolsonaro em autoexílio nos Estados Unidos desde 2025.

Relatório de 1º de abril indica que ministro do STF agiu enquanto ex-deputado já residia nos Estados Unidos. Conexão com caso Ramagem.

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tentou acessar dados pessoais do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) nos Estados Unidos. A revelação veio à tona em 1º de abril através de um relatório do Comitê do Judiciário da Câmara dos EUA e foi destacada nesta quarta-feira, 15 de abril de 2026, pelo próprio Bolsonaro em seu perfil no X. Para o ex-deputado, a movimentação sinaliza uma possível tentativa de criar condições para sua prisão em solo americano ou de cooptar instituições estrangeiras em uma suposta perseguição política. O Comitê americano, por sua vez, classificou a ação como uma afronta à soberania dos EUA e à liberdade de expressão.

Em sua publicação, Eduardo Bolsonaro questionou abertamente as intenções por trás do acesso aos seus dados: “Pergunto: qual era a intenção? Criar condições para uma eventual prisão minha em solo americano, caso meu status migratório permitisse alguma manobra?”.

O ex-deputado também conectou este episódio à suposta utilização de autoridades norte-americanas na detenção do ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ). Ramagem, ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), foi liberado na quarta-feira, 15 de abril de 2026, apenas dois dias após sua prisão pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos Estados Unidos), ocorrida em Orlando, na Flórida.

O relatório intitulado “O ataque à liberdade de expressão no exterior: o caso do Brasil”, publicado em 1º de abril pelo Comitê do Judiciário da Câmara dos Representantes dos EUA — órgão mencionado por Eduardo Bolsonaro — critica o ministro do STF. O documento afirma que Alexandre de Moraes prejudica a soberania dos Estados Unidos ao tentar censurar a liberdade de expressão de cidadãos norte-americanos. Ele ainda destaca que Eduardo Bolsonaro é um “importante defensor da imposição de sanções norte-americanas contra Moraes” e que o ex-deputado sofre “censura extraterritorial”. A íntegra do relatório, em inglês, está disponível em PDF (2 MB).

Na íntegra de sua mensagem postada no X, Eduardo Bolsonaro enfatizou a gravidade da situação:

O Comitê do Judiciário da Câmara dos EUA revelou que Alexandre de Moraes tentou acessar meus dados pessoais enquanto eu já residia nos Estados Unidos.

Pergunto: qual era a intenção? Criar condições para uma eventual prisão minha em solo americano, caso meu status migratório permitisse alguma manobra? Algo semelhante ao que se tentou agora, envolvendo o uso indevido de mecanismos como o ICE para prender Alexandre Ramagem?

Isso é grave! Autoridades brasileiras não podem tentar instrumentalizar instituições americanas para usá-las como ferramenta de perseguição política.

É fundamental que as autoridades dos EUA estejam atentas para que as autoridades brasileiras não tentem fazê-las de bobas.

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