REVISÃO DO ETS

Comissão Europeia propõe flexibilizar metas de CO2 para indústrias com mais licenças gratuitas

Prédio moderno da Comissão Europeia em Bruxelas, símbolo da União Europeia.
Sede da Comissão Europeia em Bruxelas.

Novos planos da UE podem permitir emissões prolongadas de CO2 e conceder licenças de carbono gratuitas adicionais a empresas, visando competitividade industrial e adaptação a metas climáticas.

A Comissão Europeia estuda flexibilizar as metas de emissão de dióxido de carbono (CO2) para a indústria. A proposta, elaborada para tornar o Sistema de Comércio de Emissões da UE (ETS) mais maleável, prevê a concessão de mais licenças de carbono gratuitas às empresas e a possibilidade de continuarem emitindo CO2 por um período estendido, conforme revelou um funcionário da Comissão nesta quarta-feira, 08/07/2026. Essas mudanças visam equilibrar a competitividade industrial europeia com os ambiciosos objetivos climáticos do bloco.

O ETS, principal ferramenta da União Europeia no combate às mudanças climáticas, exige que setores como energia, indústria, transporte marítimo e aviação comprem licenças para emitir CO2. Este mecanismo incentiva financeiramente a redução da poluição. A Comissão apresentará sua proposta de revisão do ETS no dia 17 de julho, buscando alinhar a política à meta de reduzir as emissões totais da UE em 90% até 2040, meta aprovada no ano passado. Paralelamente, a revisão abordará as preocupações de alguns governos sobre o impacto do sistema na competitividade das indústrias europeias.

A proposta contempla a extensão do ETS para permitir que as empresas continuem emitindo gases de efeito estufa até a década de 2040, uma alteração significativa em relação à data de interrupção efetiva de emissões em 2039, segundo a forma atual do sistema. O funcionário, que solicitou anonimato por os planos não serem definitivos, explicou que a revisão também prevê a concessão de mais licenças de emissão de CO2 gratuitas para as indústrias. Em troca, espera-se que as empresas invistam em tecnologias de descarbonização.

Uma das medidas específicas inclui a extensão do período em que indústrias sujeitas ao imposto de carbono nas fronteiras da UE receberão licenças gratuitas. Anteriormente, Bruxelas indicava que essa prática cessaria com a plena aplicação da taxa de fronteira em 2034. A Comissão também pretende acelerar as alterações nas regras que definem a quantidade de licenças gratuitas concedidas com base na produção de calor e consumo de combustível. Estima-se que essas medidas adicionais possam representar cerca de 6 bilhões de euros (US$ 6,85 bilhões) em licenças gratuitas para as empresas.

Outra modificação planejada é a redução do "fator de redução linear", que determina a taxa anual de diminuição das emissões permitidas. Atualmente, este fator exige uma redução de 4,3% ao ano. Adicionalmente, a proposta incentivará os governos nacionais a destinarem uma parcela maior das receitas provenientes do ETS para apoiar as indústrias que arcam com os custos do CO2. A extensão de um fundo que utiliza receitas da venda de licenças para auxiliar países mais pobres da UE na transição energética também está em pauta, atendendo a uma demanda crucial de nações como a Polônia.

É importante notar que as propostas ainda estão em fase de elaboração pela Comissão Europeia e sujeitas a alterações. Após a publicação oficial, o texto passará por um processo de negociação e aprovação pelo Parlamento Europeu e pelos países membros da UE, um trâmite que pode levar vários meses. Questões como a integração de créditos internacionais de compensação de carbono no ETS ainda estão sob debate.

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