GUERRA À DESINFORMAÇÃO

Combate a deepfakes exige jornalismo de essência, dizem experts no SPIW

Painel de debate sobre IA e o futuro do jornalismo no São Paulo Innovation Week
Especialistas debatem o impacto da inteligência artificial no jornalismo e nas Eleições durante o São Paulo Innovation Week.

Renato Franzini e Bruna Arimathea destacam que a tecnologia barateou a produção de notícias falsas e a imagem não é mais prova de verdade.

A integridade da informação pública está sob ataque, e a resposta reside na essência do jornalismo. Especialistas como Renato Franzini, diretor de redação do G1, e Bruna Arimathea, repórter do Estadão, debateram nesta sexta-feira, 15 de maio de 2026, no São Paulo Innovation Week, a urgência de o jornalismo retomar seu "core" de checagem para combater a crescente ameaça de deepfakes e conteúdos sintéticos gerados por inteligência artificial, que podem minar a confiança da sociedade e influenciar as Eleições.

O debate, que focou no tema "IA, verdade e confiança: jornalismo, Eleições e a crise do conteúdo sintético", foi mediado por Byron Mendes, da Metaverse Agency. Os participantes ressaltaram que, com a velocidade da disseminação de informações pelas redes sociais, veículos jornalísticos já haviam desenvolvido editorias e agências de checagem. O Estadão, por exemplo, mantém o Verifica desde 2018, um núcleo dedicado a combater a desinformação.

Renato Franzini alertou que as Eleições deste ano, diferentemente das de 2022, podem ser marcadas por uma profusão de deepfakes. "Essa eleição passa a ter a possibilidade de ser a eleição do deepfake porque ficou muito barato produzir e a qualidade é muito melhor", explicou. A facilidade e o baixo custo de produção de tais conteúdos amplificam a ameaça à veracidade dos fatos.

Bruna Arimathea complementou, destacando a simplicidade na criação de desinformação, exemplificando com imagens sintéticas facilmente geradas por plataformas de inteligência artificial. A repórter sublinhou a transformação do papel da imagem: "Antes da popularização da IA, a imagem era praticamente um atestado da veracidade de um fato. Hoje, a gente não pode mais confiar só na imagem." Para ela, o desafio urgente do jornalismo é intensificar os processos de checagem, garantindo que as pessoas possam confiar na verdade transmitida. "No fundo, é voltar ao core do jornalismo, antes da tecnologia e das redes sociais," afirmou.

Franzini reforçou a ideia de que a tecnologia, por si só, não é a solução para os deepfakes. "O que vai ajudar é um jornalismo melhor", enfatizou. Ele ilustrou a necessidade da verificação humana com um caso ocorrido durante uma onda de violência no México em fevereiro. Uma imagem de um avião em chamas no aeroporto chegou à redação do G1 e, inicialmente, foi classificada como verdadeira por uma ferramenta de detecção de manipulação. Contudo, uma análise mais aprofundada da plataforma revelou a geração por IA. A equipe do G1, não se limitando à ferramenta, contatou o aeroporto e agências de notícias, confirmando a falsidade da imagem antes de publicá-la.

O São Paulo Innovation Week, maior festival global de tecnologia e inovação, é uma iniciativa do Estadão em parceria com a Base Eventos. Realizado no Pacaembu e na Faap entre quarta-feira, 13, e sexta-feira, 15 de maio de 2026, o evento reuniu mais de 2 mil palestrantes, incluindo especialistas nacionais e internacionais de diversas áreas como ciência, saúde, educação, agronegócio, finanças, mobilidade, geopolítica, esportes, sustentabilidade, arte, música e filosofia.

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