EXPORTAÇÃO DESIGUAL

CNI: Exportação de baixa tecnologia é 15 vezes maior que de alta tecnologia

Gráfico comparando exportação de produtos de alta tecnologia e de baixa tecnologia.
Confederação Nacional da Indústria (CNI) apresentou dados sobre a pauta exportadora brasileira.

Em 2025, produtos de baixo valor agregado representaram US$ 130,7 bilhões, contra US$ 9,1 bilhões de itens de alta tecnologia. Déficit industrial atinge maior patamar em 30 anos.

Em 2025, a exportação de produtos brasileiros de baixo valor agregado superou em 15 vezes a venda de itens de alta tecnologia. A Confederação Nacional da Indústria (CNI) divulgou um levantamento nesta quarta-feira, 27/05/2026, com dados que evidenciam a desigualdade na pauta comercial do país e os riscos à competitividade nacional.

Segundo a análise, baseada em informações da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), o Brasil comercializou US$ 9,1 bilhões em produtos classificados como de 'alta tecnologia'. Em contraste, mercadorias de 'menor intensidade tecnológica' movimentaram US$ 130,7 bilhões no ano passado.

Embora as exportações de produtos de alto valor agregado tenham registrado um aumento de 7,7% em relação a 2024, este segmento representou apenas 2,7% do valor total exportado. Já os bens industrializados de baixo valor agregado responderam por expressivos 37,5% de tudo que foi vendido pelo Brasil em 2025.

A CNI alerta que essa disparidade impõe 'riscos à competitividade brasileira' no cenário global. 'Um crescimento econômico com qualidade depende do avanço em segmentos de média-alta e alta intensidade tecnológica. Esse movimento é fundamental para fortalecer a inserção internacional da indústria brasileira', afirmou Constanza Negri, gerente de Comércio e Integração Internacional da CNI, em nota.

Produção nacional insuficiente e déficit recorde

O levantamento também destacou a dificuldade da indústria brasileira em suprir a demanda interna. Em 2025, o país registrou um déficit de US$ 71,3 bilhões no comércio de produtos manufaturados – a diferença entre importações e exportações. Este saldo negativo é o maior observado desde 1997, início da série histórica.

O volume de itens importados cresceu 6,1% na comparação com 2024. De acordo com a CNI, isso indica que o aumento do consumo no Brasil em 2025 foi sustentado, em grande parte, por produtos vindos do exterior. 'O crescimento da importação reforça as dificuldades estruturais da indústria brasileira em atender, com produção interna, ao avanço do consumo', concluiu a entidade.

*Sob supervisão de João Nakamura*

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