CIÊNCIA E BIOTECNOLOGIA
Cientistas da Amazônia sequenciam genoma do açaí pela 1ª vez
Estudo de pesquisadores da UFPA e Embrapa permite identificar genes de produtividade e resistência, reduzindo anos de trabalho no campo.
Avanço na genética vegetal
Cientistas da Amazônia sequenciaram pela 1ª vez o genoma do açaí (Euterpe oleracea Mart.), palmeira fundamental para a bioeconomia da Região Norte. A conclusão do mapeamento, divulgada em 13/07/2026, abre caminhos para o melhoramento genético acelerado da espécie, permitindo identificar genes ligados à produtividade, ao teor de antocianinas e à resistência a doenças.
Impacto na produtividade
O conhecimento do genoma amplia a compreensão sobre as variações de cor e permitirá o desenvolvimento de novos produtos industriais, como corantes naturais e antioxidantes. O trabalho, publicado na revista Genome, é fruto de parceria entre a UFPA (Universidade Federal do Pará) e a Embrapa Amazônia Oriental (PA).
A pesquisadora Elisa Moura explica que a tecnologia atua como uma bússola para os produtores. "Com o sequenciamento, podemos identificar regiões do genoma que funcionem como marcadores para evitar a espera de cerca de 6 anos até que tenhamos informações sobre a produtividade", afirma. Segundo Maria do Socorro Padilha, também da Embrapa, o uso de dados genômicos pode reduzir em até 3 vezes o tempo necessário para o desenvolvimento de novas cultivares, um processo que antes levava décadas.
Novas rotas biotecnológicas
Além do campo, o mapeamento beneficia a indústria. O professor Rafael Baraúna, do Instituto de Ciências Biológicas da UFPA, destaca que a identificação dos genes permite criar "rotas biotecnológicas". Dessa forma, microrganismos como leveduras podem ser utilizados para produzir compostos de interesse em laboratório, diminuindo a pressão sobre o extrativismo e tornando a produção mais sustentável.
O estudo contou com apoio financeiro da Fapespa (Fundação Amparo a Estudos e Pesquisas) e do CNPq (Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico). Maria Silvanira Ribeiro Barbosa, entre outros pesquisadores, também assina a publicação técnica.
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