SEGURANÇA E SUPRIMENTOS

China proíbe exportações de hélio para blindar fabricação de chips

Fachada do Ministério do Comércio da China em Pequim.
O Ministério do Comércio da China anunciou a medida em 10 de julho de 2026.

A medida visa garantir o abastecimento interno diante da escassez provocada por tensões no Oriente Médio e restrições impostas por Rússia e Qatar.

A China impôs uma proibição temporária imediata às exportações de hélio para garantir a estabilidade do abastecimento de semicondutores. A decisão, oficializada pelo Ministério do Comércio e pela Administração Geral das Alfândegas em 10 de julho de 2026, busca proteger os setores de alta tecnologia e de saúde da grave escassez global do gás nobre, uma medida fundamental para a autonomia industrial do país.

O cenário de desabastecimento foi agravado por um contexto internacional conturbado. Desde março de 2026, o fornecimento global sofreu um corte de aproximadamente 30% após ataques militares às instalações da QatarEnergy, na Cidade Industrial de Ras Laffan. Adicionalmente, a Rússia implementou controles de exportação de hélio que permanecem em vigor até o final de 2027, reduzindo as cotas para a Ásia a apenas 40% dos níveis registrados em 2025.

Para a indústria chinesa, que depende dos 2 países para mais de 99% de suas importações, o impacto tem sido severo. Segundo dados da Sublime China Information, o preço médio do hélio importado disparou 180% no 2º trimestre de 2026 em comparação ao ano anterior. Esse custo crescente coloca pressão sobre as empresas que utilizam o insumo para o resfriamento de sistemas de litografia ultravioleta extrema e o gerenciamento térmico de wafers.

"O hélio é um recurso insubstituível para a integridade técnica da fabricação de chips", destaca Feng Jinfeng, vice-secretário-geral da Associação da Indústria de Circuitos Integrados de Xangai. A decisão de restringir a saída do produto, que em 2025 teve um volume de exportação de 445 toneladas — majoritariamente destinado a itens de baixo valor agregado, como balões —, visa redirecionar cada grama disponível para as linhas de produção estratégicas de alta tecnologia.

A Cigia e a Oilchem reforçaram que, embora a China tenha consumido 5.818 toneladas de hélio em 2025, com 84% de dependência externa, o bloqueio das exportações é um passo necessário para mitigar os riscos na cadeia de suprimentos e sustentar o crescimento tecnológico interno. A medida é definitiva, conforme a legislação de comércio exterior da China.

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