SEGURANÇA MÁXIMA

Chefe do PCC, Gerson Palermo, será mantido em cela isolada de 7 m² em presídio federal

Gerson Palermo, chefe do PCC, em Campo Grande antes de ser levado ao presídio federal.
Gerson Palermo saindo de audiência de custódia em Campo Grande, onde foi posteriormente enviado ao presídio federal.

Considerado um dos principais líderes do PCC, Gerson Palermo, foragido há seis anos, chegou à Penitenciária Federal de Campo Grande e cumprirá isolamento inicial em cela individual.

Gerson Palermo, apontado como um dos chefes do Primeiro Comando da Capital (PCC), desembarcou na Penitenciária Federal em Campo Grande nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026. O traficante, que estava foragido há seis anos, foi localizado na Bolívia e expulso do país vizinho, sendo encaminhado ao sistema prisional brasileiro. Palermo era um dos criminosos mais procurados pelo Sistema Único de Segurança Pública.

A unidade onde Palermo está detido é considerada de segurança máxima e opera sob o rigoroso modelo das penitenciárias federais, conhecidas por abrigarem os presos em condições mais restritivas do país. A decisão de isolá-lo visa a avaliação interna e a manutenção da ordem.

Ao ingressar na unidade, Palermo iniciará um período de isolamento de 20 dias, conforme previsto no Regime Disciplinar Diferenciado (RDD). Esta fase inicial, conhecida como "quarentena", é destinada à adaptação e avaliação do preso pela equipe penitenciária.

Após os 20 dias de isolamento, Palermo poderá ser transferido para um pavilhão onde terá direito a banho de sol por até duas horas diárias, sempre acompanhado de, no máximo, 12 outros detentos. As visitas, permitidas por até três horas semanais, e os atendimentos com advogados, limitados a uma hora semanal, também ocorrerão sob regras estritas.

Padrão das celas federais

As celas nas penitenciárias federais, como a de Campo Grande, possuem cerca de 7m². Construídas com concreto e revestimento de aço, elas são projetadas para oferecer máxima segurança e isolamento. Os presos passam a maior parte do dia, entre 22 e 23 horas, confinados em seus recintos. O banho de sol é uma das poucas atividades fora da cela, e ocorrem em horários controlados.

Cada cela é equipada com cama, colchão, sanitário, pia, chuveiro e um banco. A estrutura é minimalista e funcional, priorizando a contenção e a rotina controlada. O acesso à água do chuveiro é liberado em horários específicos do dia.

A alimentação é servida por uma portinhola e a bandeja passa por inspeção antes de ser recolhida. Todos os itens que entram e saem da unidade são rigorosamente vistoriados, incluindo o lixo dos presos, que é periciado.

Vigilância constante e restrições

A segurança nas penitenciárias federais é considerada de altíssimo nível. Policiais penais federais, armados com fuzis e outras armas de grosso calibre, realizam a vigilância 24 horas por dia. Funcionários e visitantes passam por quatro níveis de revista. Para os presos, a algema é obrigatória mesmo em deslocamentos internos, como para o banho de sol ou parlatório.

Dentro das unidades, não há acesso a televisões, jornais, revistas ou celulares. A única leitura permitida é de livros, apostilas de cursos e materiais religiosos. O contato com o exterior é severamente controlado.

Visitas restritas

Desde 2018, as visitas íntimas foram proibidas nas penitenciárias federais. As poucas visitas permitidas ocorrem em parlatórios, salas com vidro que separam o preso do visitante, com comunicação por telefone. A localização remota das unidades federais, geralmente distantes das áreas de atuação dos criminosos, dificulta ainda mais o deslocamento de familiares e visitantes.

Qualquer pessoa que deseje visitar um detento precisa passar por um rigoroso processo de cadastro. Após aprovação, o visitante se submete a uma revista detalhada no dia agendado.

Isolamento de líderes e alta periculosidade

O Sistema Penitenciário Federal (SPF) tem como objetivo isolar lideranças de facções criminosas e presos considerados de altíssima periculosidade. A inclusão de um detento nas unidades federais é um processo complexo, que envolve decisões judiciais de, pelo menos, dois magistrados e pareceres do Departamento Penitenciário Nacional.

As cinco penitenciárias federais do Brasil são administradas pela Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senapen), vinculada ao Ministério da Justiça. Registros indicam que as unidades federais não sofrem com superlotação e, até o momento, não há relatos de tentativas de fuga ou rebeliões.

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