TRÉGUA HUMANITÁRIA
Cessar-fogo humanitário entra em vigor após apelo de Donald Trump
Acordo de três dias entre Moscou e Kiev visa a libertação de mil prisioneiros de cada lado, trazendo breve alívio ao conflito.
Uma trégua humanitária de três dias entrou em vigor neste sábado, 09 de maio de 2026, na Ucrânia, após um apelo decisivo do ex-presidente americano Donald Trump e a subsequente ordem do presidente ucraniano Volodimir Zelenski para que suas Forças Armadas respeitassem o cessar-fogo. A decisão, que coincide com as celebrações do Dia da Vitória na Rússia, abre caminho para uma aguardada troca de mil prisioneiros de cada lado, acendendo uma fresta de esperança para famílias dilaceradas por um conflito que já dura cinco anos e é o mais letal da Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, aproveitou a data para discursar na Praça Vermelha, em Moscou, onde, embora em um desfile reduzido, reforçou sua retórica. Ele afirmou que seus soldados na Ucrânia estavam enfrentando uma "força agressiva armada e apoiada por todo o bloco da Otan", uma aliança militar ocidental liderada pelos Estados Unidos. Putin declarou sua firme convicção de que "nossa causa é justa", evocando o simbolismo da vitória soviética sobre a Alemanha nazista na Segunda Guerra Mundial para mobilizar apoio às Forças Armadas russas.
A suspensão das hostilidades, que se estende por três dias, oferece um respiro crucial para a população e, mais significativamente, permite a concretização da troca de prisioneiros, um passo vital para o retorno de homens e mulheres aos seus lares. Na sexta-feira, 08 de maio de 2026, Donald Trump anunciou a trégua em sua plataforma Truth Social, expressando a esperança de que esta pudesse ser "o começo do fim de uma guerra muito longa, mortal e duramente travada".
Em Kiev, Volodimir Zelenski rapidamente confirmou o respeito ao acordo, declarando que "a Praça Vermelha é menos importante para nós do que as vidas dos prisioneiros ucranianos que podem voltar para casa", destacando o foco humanitário da sua decisão. Tanto a Força Aérea ucraniana quanto o ministério da Defesa russo relataram uma notável redução nos ataques de drones durante a noite.
Apesar do caráter simbólico do Dia da Vitória para os 25 anos de poder de Putin, as celebrações em Moscou foram drasticamente reduzidas. Pela primeira vez em quase duas décadas, não houve exibição de equipamentos militares, e a presença de representantes estrangeiros foi mínima. Apenas líderes de Belarus, Malásia e Laos, além do primeiro-ministro eslovaco Robert Fico, compareceram, em um claro contraste com a presença de figuras proeminentes como Xi Jinping da China no ano anterior. Repórteres da agência de notícias AFP relataram ruas vazias e interrupção da internet móvel na capital russa, ilustrando o clima de tensão mesmo durante a trégua.
Este cessar-fogo ocorre após duas tentativas fracassadas de trégua nesta semana e em meio a um conflito que já causou a morte de centenas de milhares de pessoas. As negociações mediadas pelos EUA para encerrar os combates mostraram pouco progresso desde fevereiro, quando Washington mudou o foco para sua guerra contra o Irã. Zelenski expressou esperança na sexta-feira de que enviados americanos visitariam a Ucrânia nas próximas semanas para retomar as negociações pela paz, mantendo viva a expectativa de um desfecho para a tragédia que assola a Europa.
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