REJEIÇÃO NA CÂMARA

Centrão descarta proposta do PL para escala de trabalho 4x3 na Câmara dos Deputados

Fachada do prédio da Câmara dos Deputados.
Câmara dos Deputados, em Brasília.

Integrantes de partidos do Centrão classificam sugestão do PL como "irresponsabilidade" e defendem consenso de 5x2, visto como avanço.

Integrantes de partidos do Centrão consideram uma "irresponsabilidade" a sugestão do PL (Partido Liberal) de adotar uma escala trabalhista de quatro dias de trabalho para três de descanso (4x3), em detrimento da escala 5x2, que conta com consenso e tende a ser aprovada no plenário da Câmara dos Deputados. A decisão sobre qual escala prevalecerá está em análise.

Lideranças dos partidos de centro na Casa, que detêm influência decisiva em votações importantes, afirmaram que o bloco não apoiará a iniciativa apresentada pela oposição. Para governistas e membros do Centrão, a proposta do PL surge como uma tentativa de criar constrangimento ao governo, ao sugerir uma escala mais favorável aos trabalhadores sem seguir o alinhamento prévio com as demais siglas, incluindo a presidência da Câmara, representada por Arthur Lira.

O líder do PL na Casa, Sóstenes Cavalcante (RJ), anunciou a intenção de apresentar uma sugestão de alteração em plenário para a implementação da escala 4x3. Essa proposta, contudo, difere de outras discussões que tramitam na Câmara.

Uma das propostas que originaram o texto atualmente em debate, de autoria da deputada Erika Hilton (Psol-SP), previa a escala 4x3. No entanto, a própria parlamentar criticou a iniciativa do PL, vendo-a como um possível obstáculo para a aprovação da matéria, e manifestou apoio à escala 5x2 como um avanço viável.

Anteriormente, parlamentares do PL haviam solicitado um período de transição mais longo para a implementação das mudanças e parte defendia, inclusive, a manutenção da escala 6x1, com flexibilidade para negociações, como o pagamento por hora trabalhada.

Por essa razão, a estratégia de defender a escala 4x3 passou a ser interpretada tanto por governistas quanto por integrantes do Centrão como uma resposta do PL à pressão eleitoral que a direita enfrenta em relação à matéria, a qual se tornou uma das principais bandeiras do governo federal visando as eleições de outubro.

O PL empregou uma estratégia similar durante a votação da isenção parcial do Imposto de Renda proposta pelo governo no Congresso. O governo articulou a isenção para rendas de até R$ 5 mil mensais, mas o PL apresentou uma emenda para elevar esse limite para R$ 10 mil mensais. A sugestão de ampliar a isenção foi rejeitada pela maioria dos parlamentares.

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