FALHA EM VEDAÇÃO CAUSA ACIDENTE

Cenipa divulga relatório sobre acidente com foguete Hanbit-Nano em Alcântara

Erro técnico na montagem causou queda de foguete do 1º lançamento comercial no Brasil
Erro técnico na montagem causou queda de foguete do 1º lançamento comercial no Brasil

Investigação do Cenipa aponta problemas em remontagem de componentes como causa da perda do foguete sul-coreano Hanbit-Nano durante lançamento em Alcântara, Maranhão.

O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa) divulgou, nesta terça-feira, 16 de junho de 2026, o relatório final da investigação sobre o acidente envolvendo o foguete Hanbit-Nano. O foguete foi lançado em 23 de dezembro de 2025, a partir do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), no Maranhão, marcando um momento importante para o setor espacial brasileiro. A decisão de divulgar os resultados, após meses de análise técnica, visa garantir a segurança e o aprimoramento das atividades espaciais no país, protegendo o investimento e o desenvolvimento tecnológico. A apuração detalhada impacta diretamente as futuras operações e a confiança no setor espacial nacional.

Segundo o documento, o foguete operou normalmente nos instantes iniciais de voo. Contudo, aproximadamente 33 segundos após a decolagem, um vazamento de gases de combustão na parte frontal da câmara do motor do primeiro estágio provocou a ruptura estrutural e a consequente perda do veículo lançador. A conclusão sobre as causas da queda do foguete HANBIT-Nano já havia sido antecipada pela empresa sul-coreana Innospace, em 17 de março.

A investigação detalhada do Cenipa atribuiu a falha a problemas de vedação, identificados após a remontagem de componentes durante os preparativos para o lançamento. Os investigadores constataram compressão insuficiente e deformação de elementos de vedação após a substituição de um plugue na câmara de combustão. Essa condição permitiu o escape de gases quentes, resultando na falha catastrófica que levou à perda do foguete.

A divulgação deste relatório final encerra a primeira investigação de uma ocorrência espacial conduzida pelo Cenipa, após o órgão assumir a responsabilidade pelo Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes em Atividades Espaciais (Sipae). A iniciativa representa um marco no fortalecimento da capacidade brasileira em apurar eventos no setor.

Os resultados foram apresentados pelo coronel aviador Alexander Coelho Simão, investigador encarregado do caso, em Brasília. A reunião contou com a presença de autoridades militares e civis, representantes da comunidade espacial e profissionais que acompanharam a apresentação presencialmente e virtualmente, reforçando a transparência do processo.

Os trabalhos de investigação contaram com a colaboração de representantes da Innospace e da Korea AeroSpace Administration (KASA), agência espacial da Coreia do Sul, país de origem do projeto e fabricação do foguete. Essa cooperação internacional foi fundamental para a análise técnica minuciosa dos dados.

O chefe do Cenipa, brigadeiro do ar Alexandre Avellar Leal, destacou que a conclusão da investigação representa um avanço significativo para a segurança operacional das atividades espaciais brasileiras. "Mais do que compreender uma ocorrência específica, buscamos produzir conhecimento e aperfeiçoar processos que contribuam para a prevenção de eventos semelhantes e para o desenvolvimento seguro das atividades espaciais no Brasil", afirmou, ressaltando o compromisso com a dignidade e o futuro do setor.

A experiência adquirida com esta apuração reforça a capacidade do Brasil de conduzir investigações espaciais com metodologia própria, alinhada às melhores práticas internacionais e pautada pelos princípios da prevenção, independência e imparcialidade. O Sipae busca identificar fatores contribuintes e emitir recomendações de segurança para evitar acidentes futuros, protegendo vidas e o patrimônio tecnológico.

Erro técnico na montagem causou queda de foguete do 1º lançamento comercial no Brasil

O Sistema de Investigação e Prevenção de Acidentes em Atividades Espaciais (Sipae), criado em 2024 pela Lei nº 14.946, atribui ao Comando da Aeronáutica (Comaer), em coordenação com a Agência Espacial Brasileira (AEB), a responsabilidade pela investigação de ocorrências espaciais originadas em território nacional. O Cenipa atua como órgão central do sistema, coordenando e conduzindo essas atividades com foco preventivo.

A data do próximo lançamento do Hanbit-Nano ainda não foi definida, dependendo da aprovação da Administração Aeroespacial da Coreia (KASA). A Innospace planeja retomar os lançamentos em Alcântara após a validação das atualizações pelas autoridades brasileiras e sul-coreanas, sinalizando a continuidade dos esforços para o avanço do setor.

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