PAZ E DESENVOLVIMENTO
Celso Amorim afirma que desenvolvimento é inviável sob ameaça de guerra mundial em Moscou
Assessor especial da Presidência representou o Brasil no Fórum Internacional de Segurança e participou de reuniões bilaterais com autoridades russas em Moscou.
O desenvolvimento de um país torna-se inviável quando paira a ameaça de uma guerra mundial, afirmou o assessor especial da Presidência para assuntos internacionais, Celso Amorim, nesta quinta-feira, 28 de maio de 2026. A declaração foi feita durante o Fórum Internacional de Segurança, realizado em Moscou, onde Amorim representou o Brasil em discussões sobre segurança global.
O fórum, que reúne conselheiros de segurança nacional, autoridades governamentais, especialistas e representantes de organismos multilaterais, também contou com um almoço de trabalho dos representantes dos países do Brics. Amorim utilizou sua participação para abordar a intrincada relação entre desenvolvimento e paz no atual cenário internacional.
Citando a encíclica Populorum Progressio, de 1967, do Papa Paulo 6º, que proclamava "O desenvolvimento é o novo nome da paz", Amorim ressaltou que a pobreza, a desigualdade e o subdesenvolvimento são frequentemente as raízes de conflitos. Ele criticou a atuação de organizações internacionais como a OMC (Organização Mundial do Comércio) e a OMS (Organização Mundial da Saúde), que, em sua avaliação, não têm lidado de forma eficaz com as questões de desenvolvimento social e econômico, mesmo diante de ameaças como novas pandemias.
Em uma inversão da célebre frase papal, Amorim declarou: "A paz é o novo nome do desenvolvimento". Ele sustentou que o progresso é impossível quando a segurança individual está em risco, quando o Estado de Direito não é respeitado e, principalmente, quando a iminência de um conflito global se manifesta. "Não pode haver desenvolvimento quando o Estado de Direito não é respeitado. E não pode haver desenvolvimento quando a ameaça de uma guerra mundial surge de forma iminente no horizonte", enfatizou, descrevendo o momento como "tempos puramente turbulentos".
FÓRUM INTERNACIONAL DE SEGURANÇA
Em nota oficial, Amorim informou ter realizado uma série de reuniões bilaterais com autoridades russas. Entre os encontros, destacaram-se as conversas com Yuri Ushakov, assessor para assuntos de política externa do presidente Vladimir Putin; Sergei Lavrov, ministro das Relações Exteriores; Nikolai Patrushev, presidente do Conselho Naval e assessor presidencial; e Sergei Shoigu, secretário do Conselho de Segurança. As discussões focaram na conjuntura internacional, na promoção da estabilidade, da segurança global e na busca por soluções pacíficas para controvérsias.
Durante as reuniões, foi reforçada a importância de iniciativas como a CAN (Comissão de Alto Nível de Cooperação), além da cooperação tecnológica e comercial entre Brasil e Rússia. Amorim também manifestou o interesse em expandir e diversificar as exportações brasileiras para a Rússia, visando um maior equilíbrio na balança comercial bilateral. A delegação brasileira contou com representantes do Gabinete de Segurança Institucional, do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Defesa.
Em outros encontros bilaterais, o assessor especial conversou com Gabriel Lüchinger, conselheiro de Segurança Nacional da Suíça, sobre o cenário internacional, esforços diplomáticos e cooperação em segurança. Também dialogou com Ali Bagheri Kani, chefe da delegação iraniana e vice-secretário do Conselho de Segurança do Irã, com foco na situação regional e nos esforços diplomáticos relacionados ao Oriente Médio.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário