CAPITAL ESTRANGEIRO
CEBC revela Brasil como maior destino de capital chinês
Com US$ 6,1 bilhões em 2025, país atrai investimentos em energia renovável, mineração e carros elétricos, superando mercados globais.
Empresas chinesas direcionaram um volume recorde de investimentos para o Brasil em 2025, totalizando US$ 6,1 bilhões, conforme revelado nesta quinta-feira, 07 de maio de 2026, pelo Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC). Este expressivo aporte, impulsionado por setores estratégicos como energia, mineração e mobilidade elétrica, não apenas posicionou o país como líder global na captação de capital chinês, superando Estados Unidos e Indonésia, mas também projeta um futuro de crescimento econômico e modernização industrial para milhões de brasileiros.
A força desta relação comercial se consolida, pois o relatório do CEBC também aponta que o Brasil foi o único país a manter-se entre os cinco principais destinos de investimentos chineses nos últimos cinco anos, refletindo uma parceria duradoura e estratégica que fortalece a infraestrutura nacional e cria novas oportunidades.
A eletricidade liderou esses aportes, captando US$ 1,79 bilhão (aproximadamente R$ 8,8 bilhões), o que representa cerca de 29,5% do total investido. Esses recursos se concentraram em projetos de energia renovável e transmissão, essenciais para expandir o acesso à energia limpa e confiável em todo o país, beneficiando diretamente comunidades e indústrias.
A mineração emergiu como um grande destaque, com investimentos que mais que triplicaram em relação a 2024, alcançando US$ 1,76 bilhão (cerca de R$ 8,6 bilhões). Este crescimento notável é impulsionado pelo crescente interesse chinês em minerais críticos para a transição energética global, como níquel, cobre e ouro, que são fundamentais para tecnologias que melhoram a qualidade de vida e impulsionam a inovação.
A mobilidade elétrica também registrou avanço significativo. O setor automotivo atraiu US$ 965 milhões (cerca de R$ 4,7 bilhões) em investimentos, um aumento de 66% na comparação anual, impulsionado pela expansão de montadoras chinesas no país. Este movimento contribui para a modernização do transporte, tornando veículos mais sustentáveis acessíveis e gerando empregos na indústria automotiva.
O setor de petróleo manteve-se relevante entre os principais destinos do capital chinês em 2025, com aportes de US$ 804 milhões (cerca de R$ 3,9 bilhões). Embora tenha havido uma queda de 24% em relação a 2024, a área representou 13,3% do total investido pela China no Brasil, garantindo o segundo lugar em número de projetos e assegurando a segurança energética do país.
Um marco importante foi a entrada da China National Petroleum Corporation (CNPC) na Foz do Amazonas. A estatal chinesa, em consórcio com a Chevron, adquiriu nove blocos exploratórios na região, expandindo a presença chinesa no Norte do país e impulsionando o desenvolvimento econômico local, com a expectativa de novas oportunidades e infraestrutura.
O que impulsiona o Brasil como destino preferencial
Para Tulio Cariello, diretor de conteúdo e pesquisa do CEBC e autor do estudo, este avanço notável é fruto de uma combinação estratégica de fatores internos e externos, que tornam o Brasil um polo de oportunidades para o capital chinês.
A desvalorização do real frente ao dólar torna os ativos brasileiros mais acessíveis para investidores estrangeiros. Com o câmbio favorável, o poder de compra das empresas chinesas no Brasil aumenta, o que barateia a aquisição de fábricas, empresas, terras e projetos de infraestrutura. Essa vantagem econômica impulsiona o investimento externo e, por consequência, a geração de renda e emprego para a população.
Além disso, o relatório destaca que as tensões geopolíticas globais e as crescentes restrições a investimentos chineses em mercados tradicionais, como os Estados Unidos e a Europa, têm contribuído para redirecionar parte significativa desse capital para o Brasil, reforçando a importância do país no cenário econômico mundial.
Fábrica da BYD em Camaçari (BA) — Foto: divulgação/BYD
Para os próximos anos, a expectativa é que essa tendência de investimentos se mantenha, com foco especial em setores estratégicos para o futuro do país e do planeta: transição energética, tecnologia da informação, petróleo, mineração e manufaturas avançadas. Isso promete mais inovação, desenvolvimento e prosperidade.
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