JUSTIÇA E ESPORTE
CBJJ e IBJJF banem Melqui Galvão após prisão
Federações agem contra professor de Jiu-Jitsu suspeito de abuso sexual de alunas.
As Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) e a International Brazilian Jiu-Jitsu Federation (IBJJF) anunciaram o banimento definitivo do professor Melqui Galvão de todas as suas atividades e eventos, conforme divulgado nesta quarta-feira, 29/04/2026. A grave decisão surge após a prisão do treinador por suspeita de abuso sexual contra alunas, um ato que as entidades classificaram como incompatível com os princípios éticos do esporte. Esta medida enérgica visa primordialmente resguardar a integridade e a segurança dos praticantes, especialmente crianças e adolescentes, e reafirma o compromisso em combater qualquer forma de violência no ambiente esportivo, protegendo a dignidade de toda a comunidade do Jiu-Jitsu.
A Justiça de São Paulo determinou a prisão do professor Melqui Galvão, enquanto a Polícia Civil conduz a investigação detalhada. As denúncias apontam para a suspeita de abuso sexual envolvendo, ao menos, três vítimas, entre elas uma adolescente de 17 anos, trazendo à tona a urgência de responsabilização em casos que afetam a vulnerabilidade de jovens atletas.
Em nota conjunta, as Confederações expressaram "profunda indignação" diante dos fatos, reforçando que as condutas atribuídas a Melqui são inaceitáveis e violam os princípios éticos mais basilares do Jiu-Jitsu. Com a proibição de participar de eventos ou de qualquer atividade ligada às federações, a mensagem é clara: "As ações são inaceitáveis e violam os princípios éticos mais basilares do esporte", afirmaram as entidades.
As organizações também destacaram seu compromisso inabalável com a segurança de todos os praticantes, com especial atenção a crianças e adolescentes. Elas repudiaram veementemente qualquer comportamento que coloque atletas em risco, sublinhando que "a CBJJ e a IBJJF repudiam comportamentos que violem a integridade e a segurança de praticantes do esporte, especialmente quando as vítimas são crianças e adolescentes".
Um ponto crucial da manifestação das federações foi o enaltecimento da coragem das vítimas. Ao expor as situações de violência sofridas, essas pessoas abrem caminho para que outras se sintam encorajadas a buscar ajuda e denunciar. As entidades reforçaram, por fim, que casos de abuso serão tratados com o máximo rigor, reiterando o compromisso de manter ambientes seguros em todas as atividades do Jiu-Jitsu.
Em consonância com as demais entidades, o Abu Dhabi Combat Club (ADCC) América Latina também se manifestou, afirmando que não há espaço para abuso, assédio ou qualquer tipo de violência no esporte, unindo-se ao coro em defesa de um ambiente ético e respeitoso.
A Repercussão do Caso
Na terça-feira, o campeão Mica Galvão, filho de Melqui, utilizou suas redes sociais para se manifestar sobre a prisão do pai. Ele descreveu o momento como "difícil", pontuou a influência de Melqui em sua formação no tatame e defendeu que o caso seja investigado com rigor pelas autoridades.
A campeã olímpica Amit Elor, nora de Melqui, também cobrou responsabilização após a prisão. "Precisamos proteger os atletas, especialmente os menores de idade, e responsabilizar os culpados", escreveu, incentivando vítimas a denunciar e destacando a importância do apoio coletivo para combater a violência.
Diogo Reis, amigo próximo de Mica Galvão, expressou seu amor e gratidão pelos ensinamentos de Melqui, mas fez questão de defender a apuração das denúncias. "Que os fatos sejam devidamente investigados pelas autoridades competentes e que a Justiça seja feita", declarou. Ele também repudiou qualquer forma de violência contra mulheres e crianças, mantendo o foco em sua carreira e equipe.
Detalhes da Investigação e Prisão
A prisão temporária de Melqui Galvão foi decretada pela Justiça após a 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) reunir denúncias consistentes. A investigação apura relatos de abusos envolvendo, ao menos, três vítimas, evidenciando um padrão preocupante de conduta.
O caso ganhou visibilidade a partir da denúncia de uma adolescente de 17 anos, ex-aluna do treinador. Ela relatou atos libidinosos não consentidos durante uma competição esportiva fora do país. Atualmente nos Estados Unidos, a vítima foi ouvida pelas autoridades, juntamente com seus familiares, fornecendo informações cruciais para a apuração.
A Polícia Civil informou que os denunciantes apresentaram uma gravação de áudio. Nela, o investigado admite indiretamente o ocorrido e tenta evitar que o caso prossiga, chegando a oferecer uma compensação financeira, o que pode fortalecer as evidências contra ele.
Durante a apuração, outras duas possíveis vítimas foram identificadas em diferentes estados do país, e seus depoimentos revelaram episódios semelhantes. Em um dos casos, a vítima afirmou ter apenas 12 anos na época dos fatos, o que agrava ainda mais a seriedade das acusações e reforça a necessidade de proteção à infância e adolescência no esporte.
Gostou desta notícia?
Entre no nosso grupo do WhatsApp!
Receba as principais notícias em primeira mão, direto no seu celular. É grátis!
📲 Quero entrar no grupo
Comentários (0)
Deixe seu comentário