IGREJA E POLÍTICA

Católicos do PT criticam uso de igrejas como palanques em carta aberta

Imagem conceitual de uma igreja com um púlpito, simbolizando o debate entre religião e política.
O debate sobre a atuação de parlamentares em espaços religiosos ganha destaque em carta aberta.

Grupo ligado ao Partido dos Trabalhadores defende laicidade do Estado e critica parlamentares que "traem o mandato" ao agir contra direitos sociais.

Um grupo de católicos filiados ao PT (Partido dos Trabalhadores) publicou uma carta aberta na quinta-feira, 02/07/2026, em que criticam "condutas parlamentares que transformam igrejas em palanques". A decisão de divulgar o documento reflete um debate interno sobre os limites entre a atuação religiosa e a política partidária, e sua importância reside em reforçar os princípios de laicidade e respeito à diversidade, princípios fundamentais para a democracia.

Na mesma linha, os signatários afirmam que esses congressistas "traem o mandato recebido do povo" quando atuam contra "direitos sociais, trabalhistas e democráticos". A publicação é resultado dos debates ocorridos durante o 1º Encontro Nacional de Católicas e Católicos do PT, que aconteceu na última terça-feira (30).

Apesar da origem religiosa, o grupo defende a laicidade do Estado e a plena liberdade religiosa. "Defendemos o Estado laico, a liberdade religiosa e o respeito às diferentes tradições e à não crença, rejeitando toda forma de intolerância, discriminação e racismo religioso", destaca o texto da carta. Essa postura busca garantir que a atuação política esteja alinhada a valores universais de direitos humanos e não a dogmas específicos.

O documento assegura que o projeto político da organização é balizado pelo comprometimento com a democracia, a valorização do trabalho, a garantia de direitos e a promoção de uma vida digna para todos. A carta reconhece programas sociais, como o Bolsa Família e o Minha Casa Minha Vida, como avanços importantes para a melhoria do bem-estar da população, mas reafirma a necessidade da aprovação do fim da escala 6x1 e da tarifa zero para o transporte público como bandeiras essenciais.

A iniciativa ocorre após o PT ter evitado, em discussões recentes, abordar tópicos sensíveis para segmentos mais conservadores de grupos religiosos, como o apoio ao aborto legal, conforme noticiado pela CNN Brasil. Em junho, o partido já havia publicado uma carta semelhante voltada ao eleitorado evangélico, onde a crítica ao uso da fé para fins eleitorais também foi central.

O texto foi revisado por Lucas Schroeder.

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