RISCO EM INVESTIGAÇÃO
Casos suspeitos de ebola seguem em investigação no Brasil após surto declarado pela OMS
Dois pacientes com histórico de viagem à África são monitorados em São Paulo e Rio de Janeiro. OMS declarou emergência internacional para o surto na África.
Dois casos suspeitos de contaminação pelo vírus ebola continuam sob investigação pelas autoridades de saúde em São Paulo e no Rio de Janeiro. Os pacientes estiveram recentemente na República Democrática do Congo e em Uganda, países onde a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou, na terça-feira, 17 de maio de 2026, uma emergência de saúde pública de importância internacional. Apesar da declaração, a OMS ressalta que a situação atual não atende aos critérios para uma emergência pandêmica e desencoraja o fechamento de fronteiras internacionais.
O surto em questão é causado por uma cepa rara do vírus, conhecida como bundibugyo, para a qual não existem vacinas ou tratamentos específicos amplamente disponíveis. A OMS considera baixa a hipótese de contaminação global neste momento.
O que se sabe sobre o caso de São Paulo
Em São Paulo, a investigação envolve um homem de 37 anos que retornou da República Democrática do Congo. Ele apresentou sintomas como febre, caracterizando um caso suspeito, e está internado em isolamento no Instituto de Infectologia Emílio Ribas. Exames preliminares realizados no sábado, 30 de maio de 2026, detectaram a presença da bactéria Neisseria meningitidis, causadora da meningite meningocócica, segundo a Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo (SES-SP). A pasta enfatiza que a investigação para ebola e outros diagnósticos virais permanece ativa até a conclusão das análises laboratoriais e genômicas. Regiane de Paula, coordenadora em Saúde da Coordenadoria de Controle de Doenças da SES-SP, confirmou que a investigação para ebola segue em andamento, mesmo com a confirmação laboratorial da bactéria pelo Instituto Adolfo Lutz, como parte do processo de diagnóstico diferencial.
O que se sabe sobre o caso do Rio de Janeiro
No Rio de Janeiro, o paciente em investigação esteve recentemente em Uganda e apresentou sintomas como tosse, calafrios e diarreia. Devido ao histórico de viagem e aos sintomas, foi acionado o protocolo de segurança para atendimento especializado e isolamento no Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). Análises realizadas pela Fiocruz em amostras de saliva e urina nesta domingo, 31 de maio de 2026, deram resultado negativo para ebola. No entanto, um teste para malária realizado na noite de sábado, 30 de maio de 2026, apresentou resultado positivo. Testes diagnósticos em amostras de sangue continuam em andamento. A Secretaria Municipal de Saúde do Rio (SMS-Rio) informa que o caso segue em investigação conjunta com a Secretaria de Estado de Saúde e a Fiocruz. Pessoas que tiveram contato com o paciente estão sendo monitoradas preventivamente. A SMS-Rio adicionou que, embora o viajante não preencha todos os critérios para ser classificado como caso suspeito de ebola, a investigação foi ativada por precaução, considerando o cenário epidemiológico internacional e a possibilidade de outras febres hemorrágicas virais (FHV).
Por que a suspeita de ebola ainda não pode ser descartada
Especialistas alertam que, mesmo com diagnósticos preliminares de outras doenças, como meningite ou malária, a infecção por ebola não pode ser descartada até a conclusão de todos os testes específicos. O virologista Flávio Fonseca, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), explica que pacientes vindos de regiões com alta incidência de doenças podem contrair múltiplas infecções simultaneamente, pois uma infecção pode comprometer o sistema imunológico. O diagnóstico para ebola exige testes moleculares e sequenciamento genômico, processos que levam tempo. A complexidade é aumentada pela raridade da cepa bundibugyo envolvida no surto atual, que exige métodos de diagnóstico mais 'artesanais', segundo Fonseca. O infectologista Ivan Marinho, da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo, reforça a necessidade de levar a investigação até o fim, dada a gravidade do surto na África e o risco potencial de introdução da doença no Brasil.
A dimensão do surto na África
A OMS reporta que os casos de ebola no Congo e em Uganda estão se disseminando rapidamente. Até 29 de maio de 2026, foram confirmados 906 casos suspeitos no Congo, com 223 mortes, e 124 casos confirmados (incluindo nove em Uganda) com 18 mortes. O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom, expressou profunda preocupação com a escala e a velocidade da epidemia. Um artigo na revista Nature destacou que, diferentemente de surtos anteriores, o atual, causado pela cepa bundibugyo, apresentou 246 casos suspeitos em seus primeiros 100 dias, um número elevado em comparação com surtos anteriores. A OMS declarou emergência internacional em 17 de maio de 2026.
Risco de surto no Brasil
A Fiocruz avalia o risco de transmissão de ebola no Brasil como baixo. A SES-SP também considera muito baixo o risco de introdução da doença na América do Sul, citando a ausência histórica de transmissão no continente, a falta de voos diretos para a região afetada e a necessidade de contato direto com fluidos corporais de pessoas sintomáticas para a transmissão. O vírus não é transmitido por via respiratória nem durante o período de incubação.
Sintomas da doença
A infecção pelo vírus ebola pode causar febre, cefaleia, fraqueza, diarreia, vômitos, dor abdominal, inapetência, odinofagia e manifestações hemorrágicas. O período de incubação varia de dois a 21 dias, com média de cinco a 10 dias. Os pacientes tornam-se contagiosos a partir do início dos sintomas.
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