AGRO EM ALERTA

Carga tributária de transportadoras do agro pode subir 414% com Reforma Tributária

Gráfico mostrando o aumento da carga tributária para transportadoras do agronegócio.
Estudo aponta impacto financeiro significativo para o setor de transporte de cargas no agronegócio.

Estudo da consultoria Rumo Brasil estima aumento de 414,4% nos tributos com a CBS, afetando R$ 144 milhões em custos para o setor.

A implementação da Reforma Tributária pode elevar em mais de quatro vezes a carga tributária de transportadoras que atuam no agronegócio, segundo um estudo da consultoria Rumo Brasil. A projeção, divulgada nesta segunda-feira, 06/07/2026, considera apenas os efeitos da Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS), novo imposto federal que substituirá o PIS e a Cofins.

O levantamento estima um aumento médio de 414,4% nos tributos pagos por essas empresas, resultando em um impacto financeiro superior a R$ 144 milhões para o grupo analisado. Este estudo foi elaborado com base em dados reais de empresas associadas à Associação Nacional das Empresas Agenciadoras de Transporte de Cargas (ANATC), incluindo algumas das maiores transportadoras do país.

Segundo a Rumo Brasil, as empresas avaliadas somam faturamento de R$ 6,6 bilhões e cerca de R$ 5 bilhões em subcontratações. A pesquisa utilizou informações referentes às operações realizadas ao longo de 2025 e analisou obrigações acessórias, documentos fiscais, demonstrações contábeis e controles internos das companhias participantes.

O CEO da Rumo Brasil, Rafael Brito, explicou que o objetivo do levantamento foi transformar o debate sobre os impactos da Reforma Tributária em números concretos. "Nosso objetivo foi justamente transformar essa discussão em números, permitindo que o setor compreenda, de forma prática, os efeitos da nova legislação sobre suas operações", afirmou.

O principal fator para o aumento da carga tributária é a mudança nas regras de aproveitamento de créditos fiscais envolvendo subcontratações, prática comum no transporte rodoviário de cargas, especialmente no agronegócio. A alteração afeta diretamente empresas que operam com margens reduzidas e elevada pressão por eficiência.

Além do impacto financeiro, o novo sistema exigirá maior controle documental das empresas. Cada contratação, documento fiscal e operação passará a influenciar diretamente a correta apuração dos tributos e a competitividade das transportadoras. O transporte rodoviário integra praticamente todas as cadeias produtivas, e o aumento dos custos poderá ser repassado a embarcadores, indústrias, distribuidores e, posteriormente, ao consumidor final.

A consultoria recomenda que as empresas revisem seus processos internos, contratos e estratégias para se adaptar ao novo modelo tributário. "Quanto antes essa preparação começar, maiores serão as condições de reduzir riscos e preservar a competitividade", disse Brito. É importante ressaltar que os valores apresentados são projeções elaboradas a partir de dados operacionais de 2025 e consideram exclusivamente os efeitos da CBS, cuja regulamentação ainda está em andamento. A decisão administrativa sobre a aplicação da reforma ainda não é definitiva e cabe recurso.

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