DISPUTA CANÔNICA EM DF

Capela em Ceilândia ignora decreto de excomunhão do Vaticano

Fachada da Capela Santo Atanásio em Ceilândia, DF.
Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF), mantém atividades mesmo após nota de excomunhão.

Mesmo após sanções de Roma contra a FSSPX, comunidade tradicionalista mantém rotina de sacramentos e contesta validade jurídica da punição.

A comunidade ligada à Capela Santo Atanásio, em Ceilândia (DF), decidiu manter integralmente suas atividades religiosas, ignorando a nota de excomunhão emitida pelo Vaticano. A decisão foi comunicada pelo padre Françoá Costa, que reafirmou a continuidade da escala de missas, cursos e administração de sacramentos nesta segunda-feira, 13/07/2026.

O conflito teve início após o Vaticano publicar, no dia 2 de julho de 2026, um decreto que aplica a excomunhão latae sententiae contra membros da Fraternidade Sacerdotal São Pio X (FSSPX). A medida foi motivada pela realização de sagrações episcopais sem a autorização do papa, fato que a Arquidiocese de Brasília reforçou ao publicar Nota Pastoral orientando os fiéis a evitarem o templo.

Apesar da gravidade da sanção eclesiástica, a liderança da capela contestou formalmente a decisão. O padre Françoá Costa argumentou, com base nos Cânones 751, 1323 e 1324 do Código de Direito Canônico, que a comunidade não se encontra em cisma. Segundo a defesa do clérigo, a atuação da capela estaria respaldada pelo princípio do “estado de necessidade”, o que, na visão dos tradicionalistas, suspenderia as penalidades automáticas.

Para a dignidade espiritual dos fiéis, a manutenção da rotina significa, na prática, a continuidade de ritos como confissões e casamentos. No entanto, o Vaticano alerta que, diante da atual situação jurídica, tais sacramentos são considerados inválidos pela Igreja Católica, gerando um impasse que afeta diretamente a vida sacramental dos frequentadores.

A postura da comunidade permanece firme em relação ao Concílio Vaticano II. O sacerdote reforçou que a resistência às reformas e ao modernismo é um pilar inegociável da instituição, declarando que não haverá reconciliação nos moldes propostos por Roma. Enquanto o cenário jurídico eclesiástico permanece tenso, a rotina de orações e celebrações na Capela Santo Atanásio segue sem alterações de cronograma ou autorização superior.

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