GESTÃO E ORÇAMENTO

Candidatos ao Palácio do Planalto apresentam propostas vagas sobre emendas

Fachada do prédio do Congresso Nacional em Brasília
Fachada do Congresso Nacional, onde parlamentares decidem sobre a destinação de verbas do Orçamento da União — Foto: Reprodução

Estudo da Transparência Internacional Brasil aponta que planos de governo enviados ao TSE ignoram a necessidade de responsabilização parlamentar

Os planos de governo dos candidatos à Presidência da República apresentados ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) concentram-se em abordagens superficiais sobre as emendas parlamentares, um mecanismo orçamentário que atualmente é alvo de investigações conduzidas pela Polícia Federal (PF) e monitoradas pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A análise, divulgada pela ONG Transparência Internacional Brasil, destaca a fragilidade das propostas diante de um volume de recursos que, apenas neste ano, soma R$ 61 bilhões sob indicação de congressistas.

O levantamento revela que, apesar das críticas frequentes ao sistema de distribuição de verbas, os postulantes ao Palácio do Planalto mantêm um discurso vago. Para o cidadão, o impacto dessa falta de clareza é direto: a pulverização dos investimentos públicos em projetos de baixo impacto e com interesses meramente eleitorais compromete a eficiência de serviços básicos, como saúde e infraestrutura, que deixam de seguir critérios técnicos em favor de acordos políticos.

“Nenhum candidato propõe um reequilíbrio dos poderes e responsabilidades. Se os parlamentares vão controlar recursos do Orçamento e indicar diretamente os beneficiários dessas verbas, eles precisam ser responsabilizados em caso de desvios”, afirma Guilherme France, Gerente do Núcleo de Incidência e Litigância Estratégica da Transparência Internacional Brasil.

Segundo o especialista, o descompasso atual — onde parlamentares detêm poder orçamentário sem a devida prestação de contas — cria um cenário de risco institucional. “É a senha para que deputados e senadores continuem a inflar esses recursos ano após ano, até que o Poder Executivo não passe de um laranja do orçamento público”, pontua France.

A situação ganha complexidade com as investigações em curso. Por determinação do Supremo e diretrizes do Tribunal de Contas da União (TCU), a Polícia Federal analisa a destinação de verbas indicadas por mais de 90 parlamentares, sob suspeita de irregularidades. A ausência de propostas concretas para mitigar o chamado “Sequestro do Orçamento” é interpretada pelo estudo como um receio dos candidatos em contrariar as bases partidárias, mantendo o status quo em detrimento da transparência necessária ao interesse público.

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